Turismo tem futuro “risonho”, mas é preciso “pensamento a longo prazo”

  • Lusa
  • 11 Julho 2017

Sem "erros" e sem "azares", o turismo será "ainda mais importante para a economia portuguesa nos próximos 20 anos": haverá mais turistas, de mais mercados, ficarão mais tempo e vão gastar mais.

O “turismo em Portugal tem um futuro risonho”, mas o país “precisa urgentemente de pensamento a longo prazo“. A conclusão é de um relatório elaborado pelo grupo MESA37, apresentado esta tarde, na Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa (EHTL), que antevê oportunidades e perigos para o setor, numa perspetiva a 20 anos.

Com o título “Futurismo: O Petróleo Nacional, Turismo em Portugal em 2037”, redigido por nove autores, este trabalho menciona um cenário futuro que incluirá a ascensão do Oriente, o aumento e envelhecimento da população, preocupações ambientais e energéticas, o crescimento do clima de insegurança e mudanças nas instituições.

O turismo “será uma atividade ainda mais importante para a economia portuguesa nos próximos 20 anos, se não cometermos muitos erros e se não tivermos grande azares”, lê-se no estudo, que perspetiva nos próximos 20 anos “mais turistas, de mais origens, que ficam mais tempo e despendem mais dinheiro”. Assim, haverá maior riqueza para o país, “mais impostos, mais postos de trabalho, maior aproveitamento dos recursos e das regiões e ainda maior qualidade de vida para os residentes”.

Entre a lista de argumentos para justificar as suas perspetivas está o aumento de turistas, nomeadamente por crescer a população, e o aumento da classe média em países do Oriente, como a China e a Índia.

As oportunidades perante o cenário passam por captar rotas do Oriente, “de forma direta e indireta, usando canais sobre o território africano”, e a transformação do país na “Florida da Europa”, no sentido de captar reformados europeus, através de “boas infraestruturas aeroportuárias, boa internet, segurança, apoio médico e preços de habitação acessíveis”.

Entre o que pode correr mal, os autores do estudo enumeraram o bio e o ciberterrorismo, redução da liberdade de circulação na União Europeia, guerras, problemas em ligações aéreas, colapso dos sistemas de segurança social e crise nas finanças públicas.

Quanto ao argumento de Portugal como destino seguro, o estudo apresenta como oportunidades a gestão da imagem com medidas indiretas como o fim das Forças Armadas, com reforço dos meios eletrónicos e forças de intervenção de grande mobilidade, e inovação na forma de lidar com os incêndios.

À questão sobre o que pode correr mal, o documento responde com as hipóteses de terrorismo, cataclismos naturais, incêndios, alterações climáticas, instabilidade política e opções políticas erráticas, conflitos sociais e má gestão do território “com perda de identidade e qualidade ambiental”.

Sobre a previsão de o setor ser ainda mais competitivo, os autores sublinharam a capacidade empreendedora e a existência de tecnologia, assim como diversificação de tendências turísticas e as oportunidades no setor hoteleiro e na restauração, prevendo que as agências de viagens se transformem em produtoras de conteúdos.

Neste capítulo são apresentados os desafios da automação e aumento dos custos, cuja resposta deve passar pelo foco na criação de valor, primado ao cliente e melhoria continuada de produtos e serviços.

No que pode correr mal, é elencada nomeadamente subida de preços, afunilamento da oferta ou perda da identidade.

O grupo MESA37 integra Ana Moreira, Diretora da EHTL, Ana Borges, Manuel Carvalho, Rui Pereira e Filipa Jordão, professores da EHTL, Filipe Pires e João Cruz, gestores, Luís Carvalho, urbanista e professor universitário, Paulo Vaz, diretor da Escola de Hotelaria do Douro-Lamego.

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