Costa: “Nunca mais nenhum de nós poderá esquecer aquele dia”

  • Margarida Peixoto
  • 12 Julho 2017

O primeiro-ministro começou o debate pelo tema de Pedrógão, mas passou em revista todos os bons indicadores económicos e anunciou uma nova secretaria de Estado para a Habitação.

“Nunca mais nenhum de nós poderá esquecer aquele dia,” disse António Costa, primeiro-ministro, no arranque do debate sobre o Estado da Nação. No discurso de abertura, o chefe do Governo deu prioridade ao tema de Pedrógão, mas fez questão de falar sobre as conquistas obtidas na área económica, anunciou uma secretaria de Estado para a Habitação e traçou um esboço da estratégia que propõe para o futuro.

O incêndio de Pedrógão Grande evidenciou como, “perante o primado da vida humana, tudo o mais tem um valor relativo,” sublinhou o primeiro-ministro, depois de notar que a tragédia que matou 64 pessoas e fez mais de 200 feridos aconteceu precisamente no dia seguinte à saída de Portugal do Procedimento por Défice Excessivo — aquele que tinha sido definido como um dos objetivos fundamentais do Governo.

Por isso, Costa deu prioridade ao tema do incêndio de Pedrógão Grande. Anunciou que as primeiras três habitações já estão a ser reconstruídas e que a Unidade de Missão para a Valorização do Interior será deslocalizada para Pedrógão Grande. De seguida, garantiu que o Governo vai dar “toda a colaboração e apoio tanto ao inquérito crime aberto pelo Ministério Público como à Comissão Técnica Independente” criada pela Assembleia da República.

Mas, frisou Costa, “se há respostas que ainda não temos há soluções que sabemos que há muito o país espera.” E pediu um “esforço conjunto para consensualizar” a reforma estrutural das florestas para o futuro do país.

O caminho já feito e o que está por vir

Num segundo momento do discurso, Costa fez questão de passar por todos os bons indicadores económicos, procurando assim mostrar os resultados já obtidos pela atual governação. Falou dos “mais de 175 mil novos postos de trabalho criados desde o início de 2016,” da confiança dos agentes económicos, que está em máximos, do crescimento do investimento, do aumento do PIB, que cresce acima do ritmo da zona euro, da saída do Procedimento por Défice Excessivo. E rematou: “sim, havia mesmo alternativa.”

E ao prometer detalhes sobre as políticas setoriais em curso — Saúde, Educação — para a fase de debate, anunciou a criação de uma secretaria de Estado da Habitação. Esta será a primeira consequência da remodelação governamental provocada pela saída de três secretários de Estado por causa do Galpgate, e da aceitação do pedido de saída por parte de outros secretários de Estado.

Por fim, Costa apontou para o que virá “para lá da atual legislatura” e defendeu que é preciso preparar o que aí vem desde já. Garantiu que está a trabalhar numa matriz que assenta em dois eixos fundamentais — inovação e conhecimento, e qualificação, formação e emprego — cujos objetivos são a competitividade, coesão e convergência.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Costa: “Nunca mais nenhum de nós poderá esquecer aquele dia”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião