Taxas mais baixas? Estado aumenta prémio para manter OTRV na moda

Remuneração das obrigações para pequenos investidores é cada vez mais baixa. Mas o prémio aumenta de emissão para emissão no sentido de manter OTRV na moda. Emigrantes reforçam procura.

OTRV vestem bem no perfil de investidor dos portugueses.

É verdade que a remuneração das obrigações para pequenos investidores que se encontram em fase de subscrição é a mais reduzida de sempre. Mas a correção em baixa das taxas da dívida portuguesa tem sido tão acentuada em 2017 que o IGCP está a ser “obrigado” a pagar um prémio maior para manter as Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável (OTRV) na moda. Sem esse aumento do prémio, investir agora resultaria em perdas para os investidores em muitos casos.

Uma breve simulação no site da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) permite perceber que um investimento abaixo de 5.000 euros dificilmente resulta em ganhos palpáveis para os investidores que se estreiam neste tipo de aplicações. As OTRV agosto 2022 pagam um juro de 1,6% a cinco anos. Mas há comissões (sobretudo de custódia) e impostos que absorvem a maior parte dos rendimentos que o pequeno investidor consegue extrair desta emissão. Tenha cuidado.

2017 tem sido marcado por um movimento de forte correção das taxas das obrigações portuguesas, refletindo um conjunto de fatores, incluindo a melhoria da economia portuguesa. Também os produtos de investimento e de poupança apresentam rendibilidades cada vez mais deprimidas devido à agressiva política monetária do BCE. As OTRV não escapam: as taxas foram descendo e descendo de emissão para emissão e, se a primeira operação teve um juro de 2,2%, agora a taxa está nos 1,6%.

Taxas das OTRV a descer

Fonte: IGCP

Porém, à medida que as taxas oferecidas vão descendo, a agência que gere a dívida pública vai compensando os pequenos investidores com um aumento o prémio das OTRV face às obrigações a cinco anos que se encontram a negociar em mercado secundário. Por exemplo, nesta emissão, o diferencial encontra-se nos 0,25 pontos, quando na emissão do ano passado o prémio era de 0,17% — mesmo com uma taxa de 2% na emissão.

Prémios das OTRV a subir

Fonte: IGCP e Bloomberg

Para Filipe Silva, diretor de gestão de ativos do Banco Carregosa, “os prémios que têm sido dados nestas emissões têm servido sempre para atrair investidores, até porque estas emissões são destinadas ao retalho”. Ou seja, tem havido um esforço suplementar da parte do IGCP para continuar a atrair aplicações da parte das famílias portuguesas, um esforço que tem conferido enorme popularidade em torno destes obrigações.

Assim, num contexto de juros em mínimos históricos, que tem provocado uma razia nas taxas dos depósitos bancários, não será de estranhar que esta emissão registe novamente forte procura — tal como aconteceu nas anteriores emissões. Filipe Silva acredita que os emigrantes vêm ajudar a robustecer um apetite de mercado que por esta altura poderá ser mais curto devido ao período de férias da maioria dos portugueses residentes.

“Não deverá existir qualquer problema na colocação, sendo que a procura deverá ser generalizada e não só da parte dos emigrantes”, refere o responsável. O prazo de subscrição destas OTRV termina a 28 de julho.

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