Nenhum banco quer fazer negócios com os acionistas chineses da TAP

Nem Citigroup, nem Morgan Stanley nem Bank of America. Chineses da HNA, que estão no capital da TAP, estão a ter vida difícil em Wall Street. São cada vez maiores os receios com a elevada dívida.

Os acionistas chineses da TAP estão a ter vida difícil para fazer negócio com os bancos norte-americanos. Desta vez é o Bank of America que está a avisar os banqueiros de investimento para deixarem de apoiar transações do grupo HNA por agora, seguindo a política de outras grandes instituições financeiras como o Citigroup ou Morgan Stanley. Isto numa altura em que crescem os receios em torno dos investimentos chineses fora de portas que também levou o Banco Central Europeu a lançar uma investigação à legitimidade da presença do HNA no capital do Deutsche Bank.

Em Wall Street, são vários os bancos de investimentos que estão a evitar o aconselhamento e financiamento de operações do HNA, simplesmente porque não conseguem obter aprovação interna por parte dos comités que estão responsáveis por avalizar negócios com entidades, adianta a Bloomberg.

Na unidade de investimento Bank of America Merrill Lynch, os responsáveis comunicaram internamente no último mês que os banqueiros devem deixar de tentar prestar apoio em novas aquisições e levantamentos de capitais. O New York Times noticiou recentemente que foi o próprio Bank of America a autoexcluir-se do envolvimento em transações do HNA.

O escrutínio de empresas chinesas aumentou bastante nas últimas semanas depois de revelados os planos do governo da Pequim para travar o investimento no estrangeiro. Entre os conglomerados chineses visados pelas autoridades estão grupos como a Dalian Wanda e a Fosun, acionista do BCP e dona da seguradora Fidelidade.

No caso da HNA, que está no capital da transportadora aérea portuguesa por via de uma participação na Azul, o grupo chinês foi aconselhado pelo Bank of America em vários negócios nos últimos anos. Várias operações entre as duas entidades foram afetadas por este maior sentido de escrutínio dentro do banco, incluindo uma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) na HNA Commercial REIT, em Singapura.

Uma fonte citada pela Bloomberg lembrou que a HNA não pagou comissões ao Bank of America nos últimos meses no âmbito da assistência prestada pelo banco na realização de algumas transações do grupo chinês.

Enquanto isso, os comités internos do Citigroup e Morgan Stanley, dois dos maiores bancos mundiais, têm manifestado alguma preocupação pela falta de transparência em relação à origem do financiamento e à estrutura acionista do HNA. E por essa razão tem evitado ajudar o grupo em algumas transações durante algum tempo, ainda que algumas unidades de investimento dentro dos próprios bancos tenham mantido a sua relação com o HNA, como aconteceu no financiamento de 8,5 mil milhões de dólares à Avolon na compra do negócio de transporte aéreo à CIT Group.

Este ano, o HNA também foi apoiado por um sindicato composto pelo JPMorgan Chase e UBS na aquisição de uma posição de 25% na cadeia de hotéis Hilton por 6,5 mil milhões de dólares e de uma participação de quase 10% no Deutsche Bank. De resto, a presença chinesa neste banco alemão também está a merecer a atenção especial por parte do BCE, pretendendo saber se o investidor é ou não credível e financeiramente robusto, perceber qual a origem do dinheiro usado para o investimento, e analisar registos criminais no sentido de afastar qualquer ilegalidade do acionista com lavagem de dinheiro ou financiamento do terrorismo.

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