Onde é que os grupos chineses têm investido em Portugal?

Grandes grupos chineses já investiram mais de 6,5 mil milhões em Portugal nos últimos anos. Fosun, uma das empresas sob investigação na China, é o principal investidor no país.

Os últimos anos foram marcados por elevados investimentos chineses em todo o mundo e Portugal não fugiu ao radar dos grandes grupos daquela economia oriental que apostaram forte em setores tão sensíveis como o financeiro, elétrico, saúde e aviação. Desde a China Three Gorges, que passou a ser o principal acionista da EDP em 2011, até à Fosun, que detém interesses tão diversos como a banca, seguros, saúde e até futebol, a China tem sido um dos importantes países de origem de investimento internacional em Portugal.

Agora, as autoridades chinesas estão a investigar a exposição de vários bancos chineses a algumas das maiores empresas daquele país. Incluindo grupos com forte presença em Portugal, como a Fosun e a HNA Group. A China Banking Regulatory Commision (CBRC), o regulador do setor financeiro chinês, está preocupada com os riscos sistémicos que podem resultar da elevada exposição dos bancos chineses a empréstimos a esse conjunto de empresas que foram utilizados para aquisições no estrangeiro.

China Three Gorges compram EDP por 2,7 mil milhões

Foi o primeiro grande investimento de um grupo chinês em Portugal neste frenesim de compras internacionais por parte da China. Em 2011, o Governo liderado por Pedro Passos Coelho vendeu uma posição de 21,35% da EDP à empresa estatal China Three Gorges.

Com esta venda, o Estado arrecadou 2,7 mil milhões de euros que foram diretos para abater a dívida pública portuguesa, no âmbito do que fora acordado com a troika para um resgate de 78 mil milhões a Portugal.

Chairman da China Three Gorges, Cao Guangjing, junto do presidente da EDP, António Mexia, na cerimónia oficial do contrato de aquisição de 21,35% da EDP, no dia 30 de dezembro de 2011.Mário Cruz / LUSA

State Grid investe 290 milhões na REN

Em 2012, outra companhia estatal chinesa entrava de rompante numa elétrica portuguesa. Neste caso foi a State Grid que investiu cerca de 290 milhões de euros para ficar com 25% da gestora da rede elétrica nacional REN.

Esta alienação também foi realizada na sequência do empréstimo oficial depois de a crise da dívida ter batido à porta do país em 2011, e contou ainda com a participação da Oman Oil Company, de Omã, que ficou com 15% da REN.

Fosun compra seguradora, banco, hospitais e um clube de futebol

A Fosun é uma das instituições que estão na mira de Pequim. Em Portugal, o conglomerado chinês, liderado por Guo Guangchang, já terá investido cerca de 2,8 mil milhões de euros. Em quê? Adquiriu à Caixa Geral de Depósitos a companhia de seguros Fidelidade, é dona da rede de hospitais Luz Saúde (antiga Espírito Santo Saúde) e detém uma participação de cerca de 24% no banco BCP.

Recentemente foi notícia o interesse deste grupo chinês no clube de futebol Rio Ave, da primeira Liga portuguesa, onde pretende investir dez milhões de euros na SAD vilacondense.

Guo Guangchang, chairman da Fosun InternationalGiulia Marchi/Bloomberg

Haitong fica com o ex-BES Investimento

Já em 2015, depois da derrocada do universo Espírito Santo, o banco Haitong comprou o banco de investimento do BES, o BESI, por 379 milhões de euros.

Mas o grupo financeiro chinês já anunciou que vai injetar mais 420 milhões de euros para reforçar as contas do banco que agora se chama Haitong Bank, numa altura em que tem em curso um processo de reestruturação que passa pela redução do número de trabalhadores.

HNA Group voa na TAP

É através da companhia aérea azul que o HNA Group detém indiretamente cerca de 20% do capital da TAP. Este conglomerado chinês tem uma participação de 13% na Azul (companhia do brasileiro David Neelman que integra a Atlantic Gateway) e de 7% na Atlantic Gateway.

Na Alemanha, o HNA Group tornou-se recentemente no maior acionista do Deutsche Bank, com 10% do banco alemão. É outro dos visados das autoridades chinesas.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história e às newsletters ECO Insider e Novo Normal.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Onde é que os grupos chineses têm investido em Portugal?

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião