Produção da OPEP em máximos do ano? Petróleo cai 2%

Um relatório antecipa que a produção de petróleo da OPEP atinja em julho o patamar mais alto do ano. Estes dados arrastaram a cotação do "ouro negro" nesta sexta-feira.

O acordo entre os membros da OPEP com vista a reduzir a produção de petróleo e puxar pelos preços da matéria-prima parece continuar a não ter o efeito desejado. Um relatório que antecipa que a produção de petróleo dos países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) venha a atingir, em julho, a fasquia mais elevada do ano, colocou novamente reticências sobre a capacidade do cartel conseguir travar o excesso da matéria-prima disponível do mercado. Essas reticências colocaram sob pressão as cotações do petróleo que, nesta sexta-feira, caem mais de 2% nos mercados dos dois lados do Atlântico.

O preço do barril de crude transacionado em Nova Iorque desliza 2,43%, para os 48,12 dólares, enquanto o brent negociado em Londres recua 2,43%, para os 45,79 dólares. Tudo indica que a oferta de petróleo da OPEP tenha excedido 33 milhões de barris diários, em julho, com a contribuição de membros como a Arábia Saudita e a Nigéria, segundo dados compilados pela Petro-Logistics. Estes dados reforçam o pessimismo acerca da eficácia dos cortes de produção da OPEP.

"Para vermos o mercado a puxar muito mais [pelos preços], precisamos de ver um padrão de que os níveis dos inventários estão equilibrados, tal como os principais produtores que estão a reduzir a produção dizem estar a acontecer.”

Gene McGillian, Tradition Energy Energy

“Para vermos o mercado a puxar muito mais [pelos preços], precisamos de ver um padrão de que os níveis dos inventários estão equilibrados, tal como os principais produtores que estão a reduzir a produção dizem estar a acontecer”, afirmou Gene McGillian, responsável pelo research da Tradition Energy Energy, citado pela Bloomberg. Sem isso, “será difícil que surjam mais ganhos“, acrescentou o mesmo especialista.

A cotação do petróleo tem estado sob forte pressão, mantendo-se abaixo da fasquia dos 50 dólares por barril, perante as preocupações em torno do crescimento da produção não só dos Estados Unidos como também da Líbia e da Nigéria, que têm compensado os cortes de produção implementados por outros países produtores. Ainda no início desta semana, dados governamentais dos Estados Unidos mostraram que a produção de crude atingiu o patamar mais elevado desde julho de 2015. Já o Equador, membro da OPEP, afirmou que pretende aumentar a sua produção no final do ano, visando com isso aumentar as suas receitas petrolíferas.

No início da próxima semana, os ministros da energia dos membros da OPEP encontram-se em S. Peterburgo, na Rússia, para discutir os progressos em relação à produção. Também estarão presentes representantes dos países produtores fora do cartel.

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