Grécia encaixa 3 mil milhões no regresso ao mercado

Na primeira emissão de obrigações do Tesouro dos últimos três anos, a Grécia pagou um juro de 4,625% pelo financiamento a cinco anos. Teve intenções de compra de 6,5 mil milhões de euros.

A Grécia concluiu com sucesso a primeira emissão de dívida em três anos levada a cabo nesta terça-feira. O Tesouro helénico conseguiu colocar três mil milhões de euros em obrigações do Tesouro a cinco anos, tendo pago uma taxa de juro de 4,625%. A taxa pedida pelos investidores para financiar a economia grega fica muito acima do referencial português para a mesma maturidade. Mas fica aquém da taxa conseguida na última emissão com a mesma maturidade levada a cabo pela Grécia em 2014.

O preço definitivo foi ainda inferior à taxa de juro de 4,875% antecipada à Bloomberg por uma fonte familiarizada com o assunto, que pediu para não ser identificada. Comparando com o valor das obrigações portuguesas que transacionam no mercado secundário, verifica-se que o preço cobrado pelos investidores aos gregos é elevado: as obrigações portuguesas para o mesmo prazo estão a um juro em torno de 1,161%.

Segundo a Bloomberg, a emissão grega contou com intenções de compra de 6,5 mil milhões. Ou seja, mais do dobro do montante que acabou por ser colocado. No total, terão sido dadas mais de 200 ofertas, avançou um responsável do governo grego à agência de notícias, solicitando anonimato, já que a informação não é pública. A última vez que o Tesouro helénico tinha realizado uma emissão de obrigações do Tesouro a cinco anos foi em abril de 2014, tendo a taxa de juro ficado nos 4,95%.

O resultado “foi melhor do que o que esperávamos“, afirmou o ministro das Finanças grego, Euclid Tsakalotos, em declarações ao canal público ERT TV. “Este não é o fim. Irão haver uma segunda e terceira” emissões de obrigações de forma a assegurar que o país sai do programa de resgate em 2018, acrescentou o mesmo responsável.

A emissão grega desta terça-feira foi feita a par de uma recompra de Bilhetes do Tesouro com maturidade a 2019 e um juro de 4,75%. O objetivo do Tesouro de Atenas é substituir estes Bilhetes do Tesouro por dívida de mais longo prazo, alisando o esforço de pagamentos a que a Grécia está sujeita.

A operação segue-se a um novo acordo fechado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) que permitirá à Grécia aceder a um empréstimo na ordem dos 1,6 mil milhões de euros, desde que os países da zona euro aceitem conceder aos gregos algum tipo de alívio na dívida. A 10 de julho a Grécia concluiu também a segunda revisão do programa, por parte das autoridades comunitárias, que já desembolsaram a primeira parte da tranche de 8,5 mil milhões de euros que está em causa.

A 21 de julho a Stantard & Poor’s já reviu o outlook da dívida grega de estável para positivo e a Comissão Europeia também já recomendou a saída do Procedimento por Défice Excessivo.

Conforme explica a Bloomberg, a emissão desta terça-feira era para ter sido realizada na semana passada, mas acabou por ser adiada devido a restrições do FMI quanto ao valor máximo de dívida que um país pode deter. A agência de notícias explica, com base em fontes não identificadas, que foi encontrada uma solução técnica que permitiu contornar a questão, mas o FMI não comenta o caso.

Moscovici: “Grécia deve caminhar sozinha dentro de um ano”

Pierre Moscovici, o comissário europeu para os Assuntos Económicos e Financeiros, está a acompanhar de perto a emissão de dívida grega. No Twitter, Moscovici transmitiu o seu apoio aos gregos, sublinhando o caminho já feito para recuperar a sustentabilidade da economia e desejando que dentro de um ano a Grécia seja capaz de caminhar sozinha. Mais: “A Grécia deve tornar-se um membro ‘normal’ da zona euro,” defendeu.

Moscovici frisou ainda que “desde a última visita” da Comissão a Atenas já se assistiu a “vários desenvolvimentos importantes e muito positivos.”

Em conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras, Moscovici acrescentou: “Conquistámos muito, fizemos um longo caminho, e vemos a luz agora.” Citado pela Bloomberg, o comissário adiantou que o crescimento está a ganhar força na Grécia, podendo atingir pelo menos 1,8% este ano e 2,5% em 2018, o que deverá contribuir para a criação de empregos.

"Agora é o momento de falar sobre o futuro da Grécia, sobre (…) como vamos trabalhar para concluir com sucesso o programa no próximo ano e planear o dia seguinte para a Grécia.”

Alexis Tsipras

Primeiro-ministro grego

Sobre o sucesso da emissão de obrigações, Tsipras frisou que “a informação até ao momento é positiva” e defendeu que os investidores acolheram bem os títulos gregos. E colocou os olhos no futuro: “Agora é o momento de falar sobre o futuro da Grécia, sobre como vamos cooperar, como vamos trabalhar para concluir com sucesso o programa no próximo ano e planear o dia seguinte para a Grécia.”

(Notícia atualizada às 16h35 com mais pormenores sobre a operação)

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