Custo com o Fundo de Resolução “ultrapassa o razoável”, diz o BCP

No primeiro semestre deste ano, os custos do BCP com o Fundo de Resolução chegaram quase aos 40 milhões de euros.

As contribuições da banca nacional para o Fundo de Resolução ultrapassam o limite do “razoável” e são “muito superiores” aos custos dos concorrentes europeus com os mecanismos de resolução. A crítica é de Nuno Amado, presidente executivo do BCP, que comenta assim a discussão em torno da renegociação das condições do empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução.

"O custo que hoje temos já ultrapassa o que consideramos razoável e é muito superior ao de qualquer outro banco europeu em termos relativos.”

Nuno Amado

Presidente executivo do BCP

“O Fundo de Resolução tem um alongamento do prazo do empréstimo porque a própria decisão da resolução tinha uma cláusula que previa não por em causa a estabilidade do setor financeiro. O custo que hoje temos já ultrapassa o que consideramos razoável e é muito superior ao de qualquer outro banco europeu em termos relativos“, disse o presidente do BCP, questionado sobre o impacto que uma renegociação do empréstimo teria sobre as contas do banco. “Estamos num espaço económico comum, concorremos com bancos estrangeiros que vêm de fora e podem ter atividade cá em Portugal. É um peso desproporcionado, não é isso que é um mercado único”, acrescentou.

No final do primeiro semestre deste ano, as contribuições obrigatórias do BCP ascendiam a 90 milhões de euros. Desse montante, 30 milhões foram pagos na Polónia e outros 60 milhões em Portugal. E, desses 60 milhões, a grande maioria destinou-se aos mecanismos de resolução. O banco liderado por Nuno Amado contribuiu com 18 milhões de euros para o Fundo de Resolução Único (o mecanismo europeu) e com outros 39,5 milhões para o Fundo de Resolução nacional, responsável pela capitalização do Novo Banco.

Nuno Amado considera, por isso, que “a banca portuguesa e o BCP em particular têm um custo com as contribuições que é desproporcionado” face aos concorrentes e pede uma redução destes custos. “A margem de manobra não existe. Tem de haver espaço para ir diminuindo as contribuições e estarmos num verdadeiro mercado único”, sublinha.

Notícia atualizada às 18h50 com mais informação.

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