Lucros da EDP caem. Venda em Espanha vai reduzir dívida

A EDP, liderada por António Mexia, fechou os primeiros seis meses do ano com uma queda nos resultados líquidos de 5%. Empresa conclui venda da Naturgas e vai reduzir dívida em 2,3 mil milhões.

Os lucros da EDP recuaram 5% para os 450 milhões de euros nos primeiros seis meses do ano face a igual período do ano anterior. Este resultado supera as estimativas dos analistas do CaixaBI que antecipavam lucros de 381 milhões de euros.

No final do primeiro semestre, o EBITDA recuou 8% para os 1.902 milhões de euros, adianta a elétrica em comunicado enviado esta quinta-feira à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Sem efeitos extraordinários no primeiro trimestre de 2016 (venda de Pantanal por 61 milhões de euros), o EBITDA teria recuado 5%.

A empresa liderada por António Mexia imputa estes resultados “ao efeito de um contexto operacional muito mais severo, marcado por uma baixa produção hídrica e preços spot muito elevados, em particular quando comparado com um primeiro semestre de 2016, muito chuvoso e com preços mais baixos“.

Analisando o EBITDA constata-se que a produção e comercialização na península ibérica sofreu uma descida de 44% para 360 milhões de euros.

Já nas redes reguladas na Península Ibérica, o EBITDA cresceu 3% para os 513 milhões de euros, “impactado por uma maior margem bruta e um rigoroso controlo de custos”.

Também a atividade eólica e solar viu o EBITDA subir 11% para os 719 milhões de euros, “impulsionado por uma subida de 9% na produção, por uma subida dos proveitos com parcerias institucionais e por um impacto cambial favorável”.

Já a contribuição da EDP Brasil subiu 5% para os 316 milhões de euros, penalizada pela mais-valia gerada no primeiro semestre de 2016, com a venda de Pantanal. Excluindo esse efeito, o EBITDA cresceu 31% face ao primeiro semestre de 2016, especialmente devido ao impacto cambial favorável.

A dívida líquida subiu de 15,9 mil milhões de euros em dezembro de 2016 para os 16,9 mil milhões de euros em junho de 2017. A EDP imputa este crescimento da dívida ao pagamento anual de dividendos (900 milhões de euros), ao pagamento do IVA não recorrente, a recuperar até ao final de 2017 (300 milhões de euros) e ainda pelo pagamento de imposto relativo às securitizações efetuada em 2016 (300 milhões de euros).

Em termos de investimento operacional, a empresa liderada por António Mexia destaca que este ascendeu a 747 milhões de euros nos primeiros seis meses do ano, sendo que deste montante 62% é dedicado a projetos de expansão, nomeadamente em nova capacidade hídrica e eólica (453 milhões de euros).

O investimento líquido atingiu os 792 milhões de euros para o período em análise, incluindo 747 milhões de euros de capex e 45 milhões de investimentos financeiros, excluindo a venda da participação minoritária em ativos eólicos em Portugal à CTG.

EDP conclui venda da EDP Gás Distribuição em Espanha

A venda da Naturgas foi concluída esta quinta-feira. Num outro comunicado enviado ao mercado, esta quinta-feira, já depois de serem conhecidos os resultados da empresa, a EDP anunciou a conclusão da venda da totalidade da subsidiária para a atividade de distribuição de gás em Espanha, a um consórcio de investidores institucionais.

A EDP adianta que “esta transação resulta numa redução de cerca de 2,3 mil milhões da dívida líquida da EDP no presente ano e numa mais-valia líquida de cerca de 0,7 mil milhões de euros (cerca de 0,5 mil milhões de euros a serem contabilizados em 2017 e o montante remanescente nos cinco anos seguintes)”.

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