IRS e subsídio de férias engordam depósitos da banca em 700 milhões

As aplicações em depósitos ganharam novo fôlego, em junho, mês em que o Tesouro continuou a processar reembolsos do IRS e em que os funcionários públicos também receberam o subsídio de férias.

As aplicações em depósitos ganharam um novo fôlego em junho. O montante aplicado pelos portugueses engordou em mais de 700 milhões de euros nesse período, elevando para máximos de outubro o saldo total dos depósitos. Há quase um ano que estas aplicações não cresciam tanto, sendo que este aumento coincide com um mês em que o Tesouro continuou a proceder aos reembolsos do IRS e os funcionários públicos também receberam o subsídio de férias.

De acordo com dados divulgados pelo Banco Central Europeu (BCE), os portugueses detinham um total de 142,3 mil milhões de euros aplicados em depósitos, o que corresponde a uma subida de 707 milhões de euros face ao mês anterior. Tratou-se do maior incremento mensal desde julho do ano passado, período em que os depósitos tinham crescido em 2.101 milhões de euros.

"Penso que os reembolsos do IRS e os subsídios de férias da função pública tiveram um papel determinante nesse aumento. Não surpreende, por isso, o lançamento de mais uma operação de subscrição OTRV.”

Filipe Garcia, economista da IMF

“Penso que os reembolsos do IRS e os subsídios de férias da função pública tiveram um papel determinante nesse aumento”, diz Filipe Garcia, economista da IMF, ao ECO, salientando que “não surpreende, por isso, o lançamento de mais uma operação de subscrição OTRV”. Esta sexta-feira termina o prazo para os portugueses poderem subscrever a mais recente emissão de obrigações do Tesouro para os investidores do retalho.

Depósitos com maior subida em quase um ano

O aumento do saldo total dos depósitos registado em junho foi alimentado pelas aplicações à ordem, que engordaram em 1.022 milhões de euros, para 45.975 milhões de euros. Ou seja, para um nível recorde. Pelo menos desde o início de 2003, período a que remonta o histórico do BCE, que os portugueses não tinham tanto dinheiro à ordem.

Já nos depósitos a prazo a tendência foi oposta, com este tipo de aplicações a encolherem em 330 milhões de euros, para 95.994 milhões, o que já de si corresponde à fasquia mais baixa desde junho de 2011.

Os portugueses revelam assim continuar a preferir ter o dinheiro “empatado” à ordem do que aplicado em depósitos a prazo, cuja rentabilidade tende a ser quase nula em muitos bancos. Segundo os últimos dados do BCE, a remuneração média dos novos depósitos a prazo situou-se em maio nos 0,31%, o que corresponde à fasquia mais baixa desde o início do ano 2000, período a que remonta o histórico da entidade liderada por Mario Draghi.

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