Sem Neymar, Portugal tem maior saldo comercial no futebol

Bloomberg já nos apelidou de "fábrica de Ronaldos" devido à capacidade de exportação de talentos. Já entraram mais de 1.000 milhões com transferências em quatro épocas. INE explica o impacto no país.

Lindelöf, Éderson, André Silva e Nélson Semedo. Clubes portugueses ganham milhões a exportar talentos no futebol.DR

Não fosse a milionária transferência de Neymar do Barcelona para o PSG por 222 milhões de euros e Portugal registaria o maior excedente comercial no que toca ao mercado de vendas e compras de jogadores de futebol na Europa. Só neste defeso, a Liga portuguesa já exportou um total de mais de 200 milhões de euros em transferências de atletas para os principais campeonatos europeus, reforçando o estatuto de “fábrica de Ronaldos” como a Bloomberg apelidou recentemente.

Atualmente, a balança comercial de jogadores é positiva: face a importações na ordem dos 50 milhões de euros, a Liga Nos consegue apurar um saldo positivo em cerca de 170 milhões de euros, de acordo com dados do site especializado Transfermarkt. Este desempenho é apenas superado pela La Liga.

A Liga espanhola apresenta uma diferença entre compras e vendas de jogadores de 280 milhões de euros, graças sobretudo à exportação mais mediática do momento: Neymar, de Barcelona para a capital francesa.

Portugal é um país que já tem algum histórico de vendas. Há dez anos que FC Porto, Benfica e Sporting têm sido dos maiores vendedores. Isto quer dizer sobretudo que há muito talento em Portugal. Não são apenas jogadores portugueses… a conclusão que se retira é que os clubes portugueses compram barato e vendem caro”, explica o agente de jogadores Jorge Manuel Mendes ao ECO.

"Portugal é um país que já tem algum histórico de vendas. Há dez anos que FC Porto, Benfica e Sporting têm sido dos maiores vendedores. Isto quer dizer sobretudo que há muito talento em Portugal. Não são apenas jogadores portugueses… a conclusão que se retira é que os clubes portugueses compram barato e vendem caro.”

Jorge Manuel Mendes

Empresário de futebol

Só nos últimos quatro anos, os clubes portugueses faturaram mais de 1.000 milhões de euros apenas com as transferências de jogadores, receitas importantes que ajudam a equilibrar as frágeis contas dos emblemas portugueses e a disfarçar diferenças entre o campeonato português e as principais ligas do Velho Continente.

Espanha e Portugal exportam futebol

Fonte: Transfermarkt

“O nosso campeonato acaba por valorizar muito o jogador, cria as condições para que o jogador possa evoluir. O que acontece depois é que face ao nosso talento, às condições climatérica, à alimentação, ao próprio jogo, aos nossos treinadores que são bons, todas estas condições permitem que uma explosão da qualidade do jogador e quem ganha com isso são os clubes portugueses”, reforça este empresário habituado a lidar com clubes internacionais que procuram talentos no mercado português.

Foi essa procura, por exemplo, que levou o brasileiro Éderson do Benfica para o Manchester City a troco de 40 milhões de euros, o guarda-redes mais caro da história da Premier League. Também André Silva, jovem avançado português de 21 anos, trocou este verão o FC Porto pelos italianos do AC Milan por 38 milhões de euros. São transferências que reforçam o papel exportador de talento no futebol de um país que formou o melhor jogador do mundo, Cristiano Ronaldo.

Benfica e FC Porto no top-10 mundial

Fonte: Transfermarkt

“As pessoas sabem que os nossos jogadores não serão baratos porque temos um bom histórico”, afirmou o administrador financeiro do Benfica, Domingos Soares de Oliveira, à agência Bloomberg. “Quando os vendemos, queremos que sejam bem-sucedidos. Se um jogador não é bem-sucedido depois de o vendermos, isso afeta a nossa marca”, frisou ainda.

Para já, o mercado ainda vai confiando no talento português. Entre vendas e compras, os encarnados têm um saldo de mais de 100 milhões de euros e o FC Porto também surge em posição de destaque neste ranking que é liderado por… Barcelona, depois de vender Neymar.

"As pessoas sabem que os nossos jogadores não serão baratos porque temos um bom histórico. Quando os vendemos, queremos que sejam bem-sucedidos. Se um jogador não é bem-sucedido depois de o vendermos.”

Domingos Soares de Oliveira

Administrador financeiro SAD Benfica

Éderson reforça capacidade de financiamento do país

Para efeitos de reporte do Instituto Nacional de Estatística (INE), a venda de um jogador a um clube estrangeiro não representa propriamente uma exportação de um bem ou serviço, pelo que não afeta a balança comercial de bens ou serviços do país. A transferência é antes registada na conta de capital através da rubrica “aquisições líquidas de vendas de ativos não produzidos”, com efeitos positivos na capacidade de financiamento do país.

“A venda dos direitos de utilização (passe) de um jogador por um clube nacional a um clube estrangeiro necessariamente melhora a capacidade de financiamento face ao Resto do Mundo, dado que há um encaixe financeiro”, esclarece o INE ao ECO, lembrando que Portugal tem apresentado nos últimos anos capacidade de financiamento face ao exterior e não necessidade de financiamento.

O INE salienta ainda que “o eventual impacto apenas ocorrerá na proporção dos direitos de utilização realmente detidos pelo clube nacional”, isto porque há casos de jogadores cujos direitos de utilização são também detidos por outras entidades, por vezes estrangeiras, como fundos de investimento.

Além dos jogadores de futebol, nesta rubrica de “aquisições líquidas de vendas de ativos não produzidos” são registadas “transações de outros ativos como terrenos, reservas naturais, ativos biológicos não produzidos e outros recursos naturais”. Na prática, o INE olha para um jogador de futebol como para um peixe pescado no mar quando vendidos ao exterior. Entra dinheiro em Portugal e o país agradece.

"A venda dos direitos de utilização (passe) de um jogador por um clube nacional a um clube estrangeiro necessariamente melhora a capacidade de financiamento face ao resto do mundo, dado que há um encaixe financeiro.”

INE

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