O retrato do emigrante português: mais jovem, mais qualificado e com mais emprego

Ao todo, há mais de 1,7 milhões de portugueses espalhados pela Europa, dos quais quase metade são já de segunda geração.

Mais jovem, mais qualificado e com uma maior taxa de emprego do que a população residente em Portugal. Assim é o emigrante português na Europa, segundo um estudo divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), esta segunda-feira, sobre as condições dos emigrantes portugueses no mercado de trabalho europeu.

Quantos são

O INE divide os emigrantes entre primeira (os que nasceram em Portugal e partiram para outro país) e segunda geração (os que já nasceram noutro país mas têm pai ou mãe portugueses).

Em 2014, à volta de 1,7 milhões de portugueses estavam emigrados pela Europa. Destes, 907,1 mil são emigrantes de primeira geração e outros 812,2 mil são emigrantes de segunda geração.

Onde estão

França é, de longe, o país com a maior comunidade emigrante portuguesa na Europa. Segue-se a Suíça, Espanha, Reino Unido e Luxemburgo. O INE aponta, contudo, que este estudo, que foi realizado junto dos membros da União Europeia, não contou com a participação da Alemanha, Irlanda, Dinamarca e Países Baixos. O INE ressalva, assim, a “impossibilidade de definir um retrato completo do fenómeno emigratório português, pela ausência de informação de importantes destinos europeus da emigração portuguesa, como a Alemanha”.

Que idade têm

A população emigrada é mais jovem do que a população residente em Portugal.

Entre os mais de 1,7 milhões de emigrantes portugueses na Europa, 20% encontrava-se no grupo etário dos 15 aos 24 anos e outros 36,6% tinham entre 25 e 39 anos. Em Portugal, a percentagem da população que se encontram nestes grupos é, respetivamente, de 16,2% e de 30,2%.

Por outro lado, entre os emigrantes, 30,3% têm 40 a 54 anos e 13,2% têm entre 55 e 64 anos. Em Portugal, estes grupos representam 34% e 19,7%, respetivamente, da população residente.

Até onde estudaram

Os emigrantes são também mais escolarizados do que a população residente em Portugal, muito graças aos emigrantes de segunda geração.

Entre os emigrantes, menos de metade (43,5%) só concluiu o ensino básico; em Portugal, este grupo representa 57,1% da população. Por outro lado, 35,6% dos emigrantes concluíram o ensino secundário ou pós-secundário; esta percentagem cai para 23,6% entre a população residente em Portugal. Já ensino superior, a proporção é semelhante: 19,1% dos emigrantes concluíram o ensino superior; 19,3% dos residentes em Portugal também.

Se se fizer a distinção entre emigrantes de primeira e segunda geração, a diferença é ainda mais evidente. Mais de 27% dos emigrantes de segunda geração concluíram o ensino superior e 42,5% concluíram o secundário ou pós-secundário.

Quantos têm emprego

No que toca à taxa de emprego, a situação dos emigrantes é melhor do que a dos residentes.

A taxa de emprego dos emigrantes portugueses, em 2014, era de 84,6%; nesse ano, a taxa de emprego em Portugal era de 77,6%. O emprego entre os emigrantes portugueses é também superior à média verificada na Europa nesse ano, quando a taxa de emprego foi de 76,4%.

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