Taxa de desemprego cai para 8,8%. É o mínimo desde 2009

  • Margarida Peixoto
  • 9 Agosto 2017

A taxa de desemprego caiu para 8,8% no segundo trimestre de 2017. Em apenas três meses foram criados 102,3 mil postos de trabalho.

A taxa de desemprego caiu para 8,8% no segundo trimestre de 2017, divulgou esta quarta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE). Este valor iguala o registo do primeiro trimestre de 2009 e resulta de uma criação expressiva de emprego entre abril e junho: em apenas três meses, foram criados mais de 100 mil postos de trabalhos em termos líquidos.

No primeiro trimestre deste ano, a taxa de desemprego ainda estava nos 10,1%. De lá para cá o INE tem vindo a reportar valores mensais cada vez mais baixos, o que já indiciava uma melhoria do número trimestral. Mas ainda nenhuma estimativa tinha colocado o número abaixo dos 9%. Por exemplo, o valor preliminar do mês de junho apontava para 9%.

Taxa de desemprego recua para valores de 2009

Quebra de série em 2011. Fonte: INE

O número foi assim surpreendentemente positivo. Em termos homólogos, isto é, comparando o segundo trimestre deste ano com o segundo de 2016, a taxa de desemprego caiu dois pontos percentuais. Há menos 97,9 mil pessoas desempregadas do que há um ano e foram criados 157,9 mil postos de trabalho, em termos líquidos.

Um em cada quatro desempregados encontrou trabalho

Os dados do INE mostram ainda que esta melhoria dos números do desemprego foi conseguida ao mesmo tempo que a população ativa aumentou. Ou seja: a taxa de desemprego não caiu à conta das pessoas que desistiram de procurar emprego, deixando por essa via de ser consideradas desempregadas. Pelo contrário: a população que participa no mercado de trabalho — que quer trabalhar — cresceu, tanto em termos trimestrais, como em termos homólogos. De um trimestre para o outro, a população ativa aumentou 0,8% e em termos homólogos subiu 1,2%.

A análise dos fluxos trimestrais confirma que o desemprego diminuiu quase exclusivamente por causa da criação de emprego. Entre as pessoas que desistiram de procurar — e portanto passaram a ser consideradas inativas, deixando de contar para os desempregados — e as que começaram a procurar, o fluxo “foi praticamente nulo,” lê-se no boletim do organismo de estatísticas.

Mais: nos últimos três meses, 25,6% dos desempregados passaram a empregados. Dito de outro modo, cerca de uma em cada quatro pessoas que andavam à procura de trabalho, encontraram.

Quem encontrou emprego?

O INE diz que o número de desempregados diminuiu, em termos trimestrais, em todos os grupos populacionais. Mas quais foram aqueles em que se verificou uma queda mais expressiva? Homens, com mais de 45 anos e, no máximo, o terceiro ciclo do ensino básico. Eram pessoas que estavam à procura de um novo emprego (ou seja, não chegaram ao mercado de trabalho agora) e vinham do setor dos serviços. Procuravam uma oportunidade há mais de um ano.

Olhando para a população empregada, encontram-se pistas sobre o tipo de empregos criados. Os dados mostram um aumento dos empregados entre os homens, novamente com mais de 45 anos, no setor dos serviços. Há um aumento expressivo sobretudo nas atividades de alojamento, restauração e similares (mais 44,5 mil pessoas, o equivalente a uma subida de 15,1%), o que indicia um contributo relevante do turismo para estes dados. Os números não estão ajustados de sazonalidade.

Olhando para o tipo de contrato, verifica-se que as contratações foram feitas sobretudo a prazo: foram criados 46,5 mil empregos com termo, contra 26,8 mil nos quadros. Os restantes postos de trabalho criados no trimestre foram por conta própria: mais 23,7 mil pessoas trabalham nestes termos. E quase todos os empregos criados entre abril e junho foram a tempo completo: 98,1 mil, comparado com apenas 4,1 mil novos part-time.

Maior parte do emprego criado foi a prazo

Fonte: INE

E onde?

Os dados por região ajudam a completar a fotografia das melhorias do mercado de trabalho: a taxa de desemprego caiu em quase todas as regiões (os Açores são a exceção) mas foi no Algarve que a queda foi mais expressiva. Aqui a taxa de desemprego passou de 10,6% no primeiro trimestre, para 7,6%.

A região Centro tem a taxa de desemprego mais baixa (7%), enquanto a Madeira mantém a mais elevada (11%). Na área metropolitana de Lisboa a taxa de desemprego foi de 9,4%, continuando acima da média nacional.

Desemprego jovem e de longa duração também encolheu

Apesar de não terem sido sobretudo os jovens a encontrar trabalho, a taxa de desemprego das pessoas com idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos também diminuiu. No segundo trimestre deste ano ficou em 22,7%, abaixo dos 25,1% registados nos primeiros três meses de 2017 e dos 26,9% no segundo trimestre de 2016.

O desemprego de longa duração caiu para 5,2%, quando nos primeiros três meses de 2017 estava em 6% e há um ano em 6,9%.

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