Governo afasta adjunto que foi à China com despesas pagas pela Huawei

  • ECO
  • 10 Agosto 2017

Nuno Barreto pagou as viagens de avião para a China, mas quem pagou a estadia, incluindo alojamento e refeições, foi a Huawei. Colocou o lugar à disposição e foi exonerado.

Nuno Barreto, o adjunto do secretário de Estado das Comunidades que viajou à China com estadia paga pela Huawei, foi a primeira baixa do Governo na sequência do caso Huaweigate. O Observador avançou esta quinta-feira que o Ministério dos Negócios Estrangeiros afastou Nuno Barreto dado que o valor das despesas pagas pela Huawei foi superior a 150 euros, o máximo permitido pelo Código de Conduta aprovado recentemente.

O adjunto do secretário de Estado viajou à China em janeiro de 2017, já depois de ter sido aprovado um Código de Conduta que proíbe governantes e membros de gabinetes de aceitarem ofertas superiores a 150 euros. “Se o adjunto em causa tiver desrespeitado o limite aí fixado, estar-se-á perante um caso de violação de deveres, incompatível com a continuidade do exercício de funções”, disse ao Observador fonte oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Mais tarde, a exoneração foi confirmada: “Tendo o adjunto Nuno Miguel Jorge Barroso de Almeida Barreto colocado o seu lugar à disposição do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, foi o mesmo exonerado, nesta data, das suas funções”.

Nuno Barreto pagou as viagens de avião, mas a estadia, incluindo alojamento e refeições, nos vários dias em que esteve na China foi paga pela Huawei, numa valor que deverá ultrapassar os 150 euros. O secretário de Estado das Comunidades tinha pedido durante esta quinta-feira “a informação necessária para determinar se houve ou não” violação do Código de Conduta, aguardando ainda essa informação, segundo o Observador.

Além de Nuno Barreto, também Paulo Vistas, presidente da Câmara de Oeiras, Sérgio Azevedo, vice-presidente da bancada parlamentar do PSD, Ângelo Pereira, vereador do PSD na Câmara de Oeiras, e Luís Newton, presidente da Junta de Freguesia da Estrela, estão envolvidos no caso do Huaweigate.

(Atualizado às 21h40 com confirmação da exoneração)

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Governo afasta adjunto que foi à China com despesas pagas pela Huawei

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião