Galp: “É do interesse de todos” esclarecer o Galpgate

Gomes da Silva reiterou que a Galp "atuou dentro da lei" quando convidou governantes a viajarem a França para verem jogos de futebol. Esclarecimento do caso "é do interesse de todos", considerou.

O presidente executivo da Galp Energia considera ser “do interesse de todos” que se esclareça o que deve ser esclarecido no que toca à investigação das viagens pagas pela empresa a governantes para assistirem a jogos do Euro 2016. Numa conferência de imprensa de apresentação dos resultados do primeiro semestre, Carlos Gomes da Silva reiterou que a empresa “atuou dentro da lei” e das “práticas que são comuns entre outros patrocinadores da seleção” nacional de futebol.

“Aguardamos serenamente o desenvolvimento da investigação. Como sempre, a Galp tem colaborado com as autoridades. É do interesse de todos que esse esclarecimento seja feito”, referiu o responsável da petrolífera portuguesa. “Se o Ministério Público entender que a empresa ou alguns colaboradores venham a ser constituídos arguidos, estaremos cá para prestar colaboração. A empresa cumpriu a lei”, frisou.

Carlos Gomes da Silva mostrou-se ainda surpreendido com a polémica que se levantou em torno das viagens, um caso que ficou conhecido logo no ano passado por Galpgate. Mas indicou: “A surpresa não é só minha. É global.” As viagens pagas pela Galp a Paris estão a ser investigadas desde o ano passado e, recentemente, resultaram na demissão de três secretários de Estado, já constituídos arguidos.

Carlos Gomes da Silva garantiu que a surpresa “é global” no que toca à polémica das viagens pagas pela GalpPaula Nunes/ECO

Meta de 100.000 barris diários até ao final do ano

A Galp Energia prevê ainda alcançar a meta de 100.000 kboepd de produção diária ainda este ano, o equivalente a 100.000 barris de petróleo diários. A informação foi avançada pelo presidente executivo da petrolífera portuguesa aos jornalistas esta segunda-feira.

“Estamos na fase de fazer aquilo a que chamo de subir a montanha: 100.000 barris em termos de produção. Estamos praticamente a atingir essa meta. E creio que é atingível até ao final do ano”, disse Carlos Gomes da Silva, que antecipou também um crescimento deste indicador entre 15 e 20% até 2021.

A empresa apresentou resultados do primeiro semestre antes da abertura dos mercados, entre eles uma produção média de 88,9 kboepd provenientes das explorações em Angola e no Brasil, um crescimento homólogo de 60% assente, sobretudo, no “contínuo desenvolvimento do campo [brasileiro] de Lula”.

A Galp registou ainda um resultado líquido RCA semestral de 250 milhões de euros, mais três milhões do que no mesmo período do ano passado. Nos primeiros seis meses do ano, o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações fixou-se nos 892 milhões de euros. A receita foi de 7,62 mil milhões de euros, enquanto o investimento cifrou-se em 411 milhões de euros no segundo trimestre deste ano.

A Galp Energia quer atingir a meta de produção de 100.000 barris diários ainda este ano.Paula Nunes/ECO

Impostos “muito altos” na área da produção

Carlos Gomes da Silva queixou-se também dos impostos na área da produção. “Os impostos na área da produção são muito altos. Estamos com uma taxa de impostos de 45%, a chegar quase aos 50%, mas muito a ver com a componente de imposto pago sobre produtos petrolíferos, com Angola e Brasil a pesarem aqui de forma relevante”, referiu.

Segundo o presidente, a petrolífera registou “vendas acima do ano passado” ao nível dos produtos petrolíferos, mesmo contando com a paragem na refinaria de Sines em 2016. “Este é o terceiro ano em que, sustentadamente, o crescimento — quer de produtos petrolíferos quer do lado do óleo e do gás — teve aqui um peso relevante”, apontou.

Entre os combustíveis, Gomes da Silva destacou o “crescimento assinalável” semestral de 13,3% no segmento do jet fuel (combustível para aviões), que acompanha o crescimento do setor aeroportuário “Vemos as nossas instalações aeroportuárias a crescer a um ritmo bastante grande”, considerou. Do lado da gasolina, houve “curiosamente” uma regressão em Portugal e um crescimento em Espanha. Já o “setor elétrico cresceu muito pouco”, apontou.

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