Quem são os CEO que iam deixar Trump a falar sozinho?

Os mais proeminentes líderes das empresas norte-americanas deixaram de aconselhar Donald Trump após a ambígua reação do Presidente em relação à violência racial em Charlottesville. Quem são?

Com um simples tweet, Donald Trump acabou por arrumar uma questão que estava a revelar-se um incómodo e um embaraço para os principais líderes empresariais americanos que estavam a ajudar o Presidente norte-americano a definir a estratégia de política económica da sua Administração. “Em vez de colocar pressão sobre os empresários do Conselho Industrial e do Fórum de Estratégica e Política, acabo com ambos. Obrigado a todos”, escreveu Trump na sua conta de Twitter, esta quarta-feira.

Foi a forma mais airosa que o Presidente norte-americano encontrou para dissolver estes dois grupos de trabalho e cujo fim os respetivos membros, incluindo Jamie Dimon (JP Morgan Chase) e Indra Nooyi (PepsiCo), já estavam a preparar nos bastidores para evitar que riscos de reputação afetassem as companhias que lideram.

Os acontecimentos em Charlottesville no último fim de semana e, sobretudo, a demorada e questionável reação de Trump à manifestação de extrema-direita que juntou supremacistas brancos, neonazis e outros grupos ligados à intolerância racial nas ruas daquela localidade do estado da Virginia, acabaram por precipitar esta decisão do Presidente dos EUA.

48 horas frenéticas

Stephen Schwarzman, fundador do grupo Blackstone, fazia parte do Fórum de Estratégica e Política.Wikipédia

Os dois dias que se seguiram à manifestação em Charlottesville foram “frenéticos” para os principais executivos que faziam parte do Fórum de Estratégia e Política, que reunia os principais CEO, entre os quais Stephen Schwarzman, o multimilionário que fundou o grupo Blackstone.

A Bloomberg relata que Schwarzman passou as 48 horas seguintes ao telefone com outros membros deste grupo, os quais lhe iam manifestando desânimo acerca do comportamento de Trump em resposta a Charlottesville, até que o proeminente líder da Merck, Kenneth Franzier, que pertencia ao Conselho Industrial de Trump, recusou manter o silêncio como muitos executivos preocupados e disparou esta quarta-feira antes do tweet de Trump: “Os CEO devem dissolver o Fórum da Casa Branca que Trump, o seu primeiro presidente executivo, reuniu para mostrar o seu suposto relacionamento com os grandes negócios”.

O jornal The New York Times fala de uma rebelião nos bastidores dos CEO contra Trump. Pertencente ao Fórum de Estratégia e Política, Indra Nooyi (PepsiCo) falou com os seus parceiros do grupo Mary T. Barra (General Motors), Virginia M. Rometty (IBM) e Rich Lesser (Boston Consulting Group), de quem registou indignação e desconfiança assim que Trump culpou “os dois lados” pela explosão de violência em Charlottesville.

Todos se perguntaram se era altura de sair do Fórum, enquanto no outro grupo criado por Trump já havia saídas, como a de Franzier. Outros manifestavam algum ceticismo em relação à dissolução do grupo, embora os acontecimentos tivessem criado uma cisão entre os seus membros.

“Acreditamos que o debate em torno da participação no Fórum se tornou numa distração face ao nosso desejo bem-intencionado e sincero para ajudar as políticas vitais no sentido de melhorar as vidas dos americanos”, sublinharam os membros deste grupo num comunicado citado pela CNBC, após a medida de resolução de Trump.

"Acreditamos que o debate em torno da participação no Fórum se tornou numa distração face ao nosso desejo bem-intencionado e sincero para ajudar as políticas vitais no sentido de melhorar as vidas dos americanos.”

Fórum de Estratégica e Política

CNBC

Um documento interno a que a CNBC teve acesso mostrava a condenação de Rometty (IMB) em relação “aos grupos de ódio em Charlottesville”, salientando que o Fórum “não poderia mais servir o objetivo para o qual foi formado”.

Os conselheiros económicos de Trump

Tanto o Conselho Industrial como o Fórum de Estratégica e Política tinham sido criados por Donald Trump para juntar os mais proeminentes líderes do setor empresarial norte-americano. Por exemplo, o Fórum chegou a incluir Elon Musk (Tesla), antes de este abandonar o grupo por divergências profundas com Trump em relação ao acordo climático de Paris. Mas participavam ainda outros nomes como Jamie Dimon (JPMorgan Chase), Doug McMillon (Wallmart), Larry Fnik (BlackRock) ou Jim McNerney (antigo presidente da Boeing).

Indra K. Nooyi, CEO da PepsiCo.Wikimedia

Fórum de Estratégica e Política:

  • Stephen Schwarzman, CEO da Blackstone
  • Paul Atkins, CEO da Patomak Global Partners
  • Mary Barra, CEO da General Motors
  • Toby Cosgrove, CEO da Cleveland Clinic
  • Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase
  • Larry Fink, CEO da BlackRock
  • Rich Lesser, CEO da Boston Consulting Group
  • Doug McMillon, CEO da Wal-Mart
  • Jim McNerney, antigo CEO da Boeing
  • Indra Nooyi, CEO da PepsiCo
  • Adebayo “Bayo” Ogunlesi, presidente da Global Infrastructure Partners
  • Ginni Rometty, CEO da IBM
  • Kevin Warsh, antigo membro da Reserva Federal
  • Mark Weinberger, CEO da EY
  • Jack Welch, Antigo CEO da General Electric
  • Daniel Yergin, Nobel da Economia e vice-presidente da IHS Markit

Alguns destes membros pertenciam ao Conselho Industrial, presidido por Andrew Liveris, CEO da Dow Chemical Company. Nestes encontros, Trump costumava reunir com 28 líderes empresariais, incluindo como Michael Dell (Dell), Mark Fields (Ford), Brian Krzanich (Intel), Doug Oberhelman (Caterpillar), Inge Thulin (3M) ou Jeff Immelt (antigo presidente General Electric).

Em reação à saída de vários membros deste conselho ainda antes de ter terminado com ele, Trump ainda avisou que tinha mais nomes que poderiam ocupar os lugares deixados vagos pelos presidentes executivos da Merck, da Under Armour, da Intel, da Aliança para a Indústria Americana, da Federação Americana do Trabalho e Congresso de Organizações Industriais, da 3M e da Campbell Soup, que logo na terça-feira decidiram abandonar aquele grupo.

No dia a seguir, em vez dos novos nomes, Trump anunciou a dissolução do grupo.

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