Marques Mendes sobre caso Huawei: “Não há almoços grátis”

No seu habitual comentário de domingo, na Sic, Marques Mendes falou do caso das viagens pagas por um parceiro da Huawei, da falta de ambição face ao défice e da rentrée política nacional.

Marques Mendes diz que falta ao Governo e aos partidos uma maior ambição para o défice e a dívida, sublinhando que gostaria de ver mais do que um “vamos cumprir” o que está previsto.

Cumprir a meta do défice e a redução da dívida não é uma tarefa muito transcendente. Estava previsto no Orçamento que a economia deveria crescer 1,8%. Se a economia cresce mais, a receita nos cofres do Estado é maior. É bom. Com mais crescimento temos mais receita e menos despesa. O défice devia descer mais. Devia ficar abaixo de 1,5%. Gostaria de ver maior ambição nos partidos e no Governo. Devíamos aproveitar este momento de um bom crescimento para fazer um esforço maior no défice e na dívida, para uma maior margem de segurança. Há pouca ambição. Devíamos fazer um esforço maior”, disse o comentador na sua habitual análise de domingo, no Jornal da Noite da Sic.

Além do défice, o comentário de Marques Mendes debruçou-se sobre outros temas que marcaram a semana. Um deles foi a rentrée política que, segundo o comentador, não traz muito de novo. “Antes, as rentrées geravam alguma expectativa, agora não há grandes novidades. Em relação ao BE, não há novidades nas declarações de Catarina Martins. (…) O PCP está focado no aumento das pensões. Já António Costa fez um discurso bem estruturado, vendeu o seu peixe, puxou pelos galões da governação mas [também] não tem novidade. O que me pareceu novo é uma contradição evidente: por um lado pede consensos ao PSD e, ao mesmo tempo, critica duramente o líder Pedro Passos Coelho. Quem quer um consenso tem normalmente uma linguagem mais apaziguadora. Quem não quer é mais crítico. António Costa sabe verdadeiramente que não vai haver consenso”, assinala.

Luís Marques Mendes falou ainda do caso das viagens à China pagas por uma empresa parceira da Huawei. “Quanto aos funcionários dos Ministérios, têm funções executivas. E devem conhecer a realidade. O que já não é normal é ir visitar com viagens pagas por essas empresas. Não é normal porque não há almoços grátis. Se hoje ou amanhã há um contrato com essa empresa, há sempre suspeitas”, assinalou.

Quanto ao vice-presidente da bancada do PSD, também envolvido no caso, Marques Mendes considera que o deputado “fez muito mal em ir à China com custas pagas pela empresa porque, como deputado, não tem de tratar de matérias de compras. Ou foi fazer turismo ou, mais grave, foi pago por uma empresa que pensa que, em contrapartida, pode ter mais-valias.”

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