Depois da Galp, Huawei e NOS, chegou o “Oraclegate”

  • ECO
  • 29 Agosto 2017

Há agora uma nova polémica em torno das viagens pagas a responsáveis do Estado: um "Oraclegate". A Oracle terá pago viagens e entradas num evento a cinco altos funcionários do Estado.

Depois dos casos da Galp Energia, Huawei e NOS, há agora uma nova polémica em torno das viagens pagas a responsáveis do Estado: um “Oraclegate”. A Oracle, empresa de tecnologia e informática, pagou viagens a cinco altos funcionários do Estado — destes cinco, três ainda estão em funções. O destino foi São Francisco, nos EUA, com estadia entre 28 de setembro e 2 de outubro de 2014. Para além dos bilhetes de avião, as entradas num evento mundial da gigante norte-americana também foram pagas pela empresa e por parceiros.

Segundo o Observador, o Oracle Open World 2014 contou com a participação de pelo menos 53 portugueses. E, entre estes, cinco eram funcionários do Estado e outros de empresas estatais ou participadas, que tiveram tudo pago no evento — três diretores ou funcionários do Setor Empresarial do Estado (TAP e CGD) e dois de empresas participadas do Estado (OGMA e Galp Energia). Aos Estados Unidos foram, então, Carlos Santos, da Autoridade Tributária — que também foi à China à sede da Huawei — Diogo Reis, dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (da equipa da Plataforma de Dados da Saúde), e Francisco Baptista, chefe de Equipa Multidisciplinar de Sistemas e Produção (EMSP) da Secretaria-Geral Ministério da Administração Interna.

Nestes casos, o parceiro foi a Timestamp, empresa de sistemas de informação com sede em Alvalade, que terá partilhado o custo das viagens e das entradas. Mas não são claras quais foram as circunstâncias do pagamento e mudam de caso para caso. Mas algo é certo: foi a Oracle que pagou as entradas no evento, que incluiu um concerto dos concerto dos Aerosmith, para além de várias conferências.

Esta polémica “rebenta” depois de outros dois casos idênticos. No caso da Galp Energia, Jorge Costa Oliveira, Fernando Rocha Andrade e João Vasconcelos, três secretários de Estado que pediram exoneração de funções na sequência do caso das viagens aos jogos do Euro 2016, foram constituídos arguidos.

Já no caso Huawei, o ECO avançou que empresa parceira que convidou e pagou as viagens a altos cargos do Estado à China foi a NOS e não a empresa chinesa de tecnologia. Ao todo, estão envolvidas 14 pessoas, das quais cinco são funcionários da empresa Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS). Os outros eram representantes dos três maiores grupos nacionais privados de saúde.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Depois da Galp, Huawei e NOS, chegou o “Oraclegate”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião