PIB afunda juros da dívida portuguesa

Assim que o INE reviu em alta o crescimento da economia portuguesa às 11h00, os juros da dívida portuguesa registaram descida acentuada no mercado secundário. Taxa a 10 anos cai para 2,8%

Foi causa-efeito. Assim que o Instituto Nacional de Estatística (INE) anunciou que, afinal, a economia cresceu mais do que inicialmente previsto no segundo trimestre do ano, os juros associados à dívida portuguesa registaram uma queda acentuada.

Eram 11h00 quando a agência de estatísticas revelou que o Produto Interno Bruto (PIB) português subiu 2,9% entre abril de junho, uma taxa de crescimento homóloga que foi revista em alta face aos 2,8% da estimativa provisória. São já nove meses em que a economia portuguesa está com um desempenho superior ao da Zona Euro.

A partir desse momento, à medida que o mercado ia incorporando esta informação, as yields das obrigações portuguesas iniciaram uma correção em baixa, como demonstra o gráfico da Bloomberg em baixo. No gráfico é possível observar a descida expressiva da taxa das obrigações do Tesouro a 10 anos que estão a ser negociadas em mercado secundário, entre investidores. A taxa cai 4,1 pontos para 2,819%, com a tendência de queda a ser geral em todas as maturidades. Lá fora o sentimento também é favorável à descida dos juros espanhóis e italianos.

Juros da dívida a 10 anos acentuam queda após as 11h00, quando o INE reviu em alta o crescimento do PIB.

Isto acontece depois de o IGCP ter concretizado esta quarta-feira uma operação de troca de dívida, que permitiu empurrar para 2022 reembolsos que teria de fazer nos próximos três anos num montante de cerca de 1.735 milhões de euros.

Além disso, a agência Moody’s tem prevista para esta sexta-feira uma atualização da notação da República portuguesa. O rating está no lixo desde 2011, quando Portugal pediu assistência financeira internacional. Mas há alguma expectativa de que os analistas venham a melhorar as perspetivas de evolução do rating de “estável” para “positivo”, abrindo a porta a uma subida da notação.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

PIB afunda juros da dívida portuguesa

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião