Riopele junta-se a têxtil indiana e aposta no low cost

A joint-venture, que será criada oficialmente em setembro de 2018, deverá faturar entre 40 a 50 milhões de euros no final de 2021. Nova empresa vai atuar numa linha low cost.

A sede da Riopele, em Pousada de Saramagos, em Famalicão.

A Riopele, uma das empresas de referência do setor têxtil a nível nacional, está a negociar uma ‘joint-venture’ com um grupo indiano. O objetivo é que a parceria avance em setembro de 2018 e que, no final de 2021/2022 esteja a faturar entre 40 a 50 milhões de euros, avançou José Alexandre Oliveira, presidente da Riopele, ao ECO.

“Temos com este grupo indiano um namoro antigo, uma vez que já são nossos parceiros há quatro anos, e agora estamos a ultimar os pormenores para avançar para um ‘casamento’ mais sólido”, explica. José Alexandre Oliveira não adianta, contudo, o nome do parceiro indiano, “uma vez que eles são cotados em bolsa e portanto não podemos adiantar mais pormenores”.

A Riopele está presente no mercado da Índia há cerca de seis anos, tendo mesmo uma empresa na cidade de Jaipur e, à partida, será essa empresa local a estabelecer a parceria com o grupo têxtil indiano.

“Temos vindo a trabalhar com essa empresa indiana, mais a nível comercial e agora daremos o passo que faltava para cimentar a parceria”, diz José Alexandre Oliveira. E acrescenta: “A empresa terá um período de crescimento, mas não vejo razão para que, passados cinco anos, não esteja a faturar facilmente 40 a 50 milhões de euros”.

A empresa terá um período de crescimento mas não vejo razão para que, passados cinco anos, não esteja a faturar facilmente 40 a 50 milhões de euros.

José Alexandre Oliveira

Presidente da Riopele

O parceiro indiano estará em Vila Nova de Famalicão, na sede da Riopele, no próximo dia 3 de outubro, altura em que será fechado o plano para os primeiros cinco anos de atividade da futura empresa. Já a repartição de capital, não é ainda certa. José Alexandre Oliveira diz que “é preciso analisar a lei indiana, mas à partida não seremos maioritários, mas também não me parece que isso seja o mais importante numa sociedade, o que é preciso é ter as pessoas certas”.

O grupo indiano tem uma dimensão muito semelhante à Riopele, cujo volume de faturação atingiu, em 2016, os 70,1 milhões de euros. Apesar de adiantar que o nome da nova empresa não está ainda definido, José Alexandre refere: “Seguramente Riopele fará parte do nome”.

Em que mercados vai atuar a “joint-venture”?

O presidente da têxtil nacional não tem dúvidas. A empresa de capitais portugueses e indianos vai atuar “mais ou menos para os mesmos mercados para onde a Riopele exporta, mas numa linha mais baixa. No fundo, a ideia para criar esta ‘joint-venture’ é mais para não deixar fugir os nossos clientes para quem, por uma razão ou outra, não temos produto ou não temos preços. Trata-se de uma linha mais low cost“.

Para o presidente da têxtil, “há produtos na Riopele e, em vez de os estarmos a produzir aqui na empresa e a perder dinheiro, passamos a produzi-los a partir da Índia”. José Alexandre Oliveira garante que o plano “em nada interfere com a nossa atividade em Portugal. A Riopele irá continuar a trabalhar e a exportar para os mesmos mercados em que hoje está presente”.

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