Coreia do Norte dispara míssil e assusta mercado… mas não muito

  • Rita Atalaia
  • 15 Setembro 2017

O regime de Kim Jong-Un lançou pela segunda vez este mês um míssil sobre o Japão. Mas os mercados não estão a afundar. Analistas dizem que os investidores começam a "habituar-se" às ameaças.

A Coreia do Norte lançou pela segunda vez este mês um míssil sobre o Japão. Uma nova ameaça que agitou os mercados… mas não muito. As bolsas asiáticas fecharam no vermelho e as europeias arrancaram com o mesmo tom. Mas as perdas são ligeiras, já que, segundo analistas, os investidores começam a “habituar-se” às provocações de Pyongyang.

As principais praças do Velho Continente estão a cair. O Stoxx 600 recua 0,22%, com a cautela dos investidores a dominar a sessão. Isto depois de a Coreia do Norte ter disparado outro míssil que sobrevoou o Japão e caiu no Oceano Pacífico. O lançamento acontece horas depois de o regime de Kim Jong Un ter ameaçado “afundar” o Japão. O míssil sobrevoou a ilha de Hokkaido às 07h06 de sexta-feira (horas em Tóquio), precisaram as autoridades japonesas, que indicaram que o sistema de aviso J-Alert foi acionado em várias regiões do norte do arquipélago.

Stoxx 600 com perdas ligeiras

Já é a segunda vez este mês que a Coreia lança um míssil em direção ao Japão. Mas a reação do mercado foi mais contida. Quando Pyongyang intensificou as provocações aos EUA, as ações registaram perdas expressivas, o euro subiu para máximos e o ouro disparou, com os investidores a procurarem ativos considerados seguros em períodos de instabilidade. Apesar de continuarem a fugir do risco, a intensidade não é a mesma. As praças europeias registam perdas entre 0,1% e 0,5%, o euro negoceia com poucas alterações face ao dólar e o ouro até está a cair. Por cá, o PSI-20 também está a cair, mas apenas 0,06%

Os investidores reagiram calmamente depois de a Coreia do Norte ter disparado outro míssil (…) Não prevejo uma grande reação do mercado. A não ser que o país acentue a ação militar.

Linus Yip, estratega-chefe da First Shanghai Securities

“Os investidores reagiram calmamente depois de a Coreia do Norte ter disparado outro míssil”, refere Linus Yip, estratega-chefe da First Shanghai Securities, à Bloomberg. “Não prevejo uma grande reação do mercado. A não ser que o país acentue a ação militar“, refere.

Masashi Murata, estratega cambial da Brown Brothers Harriman, afirma à CNBC que o mercado já estava à espera que a Coreia do Norte retaliasse contra as mais recentes sanções impostas a Pyongyang pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. Propostas pelos Estados Unidos, as medidas visam interditar as exportações têxteis e reduzir o abastecimento de petróleo e gás.

No início do mês, o regime de Kim Jong-Un garantiu ter testado com sucesso uma bomba de hidrogénio. Os mercados reagiram negativamente a mais um passo no sentido de uma Coreia do Norte com armamento nuclear viável. A pressão vendedora foi transversal, com o Stoxx 600, o índice de referência europeu, a cair 0,50%. Já a moeda única superou a fasquia dos 1,20 dólares e o preço do ouro esteve acima dos 1.300 dólares a onça.

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