S&P diz que Portugal é o campeão das exportações

Agência que tirou a dívida nacional de “lixo” diz que Portugal ultrapassou países fortes como a Alemanha, Espanha e Irlanda no ganho de quota de mercado nas exportações. Peso no PIB vai chegar a 44%.

Foi uma notícia inesperada a marcar o final da semana. Quando se esperava que a agência de notação financeira melhorasse apenas o ‘outlook’ da dívida portuguesa, eis que a Standard & Poor’s resolveu melhorar o rating, retirando pela primeira vez desde 2012 a classificação da dívida portuguesa da categoria de “lixo”.

O relatório deixa muitos elogios a Portugal e previsões otimistas para a economia. É o caso do crescimento económico que a S&P prevê que possa acelerar a um ritmo de 2,8% este ano face aos 1,4% de 2016. Para o próximo ano haverá uma desaceleração ligeira, para 2,3%, e a agência norte-americana prevê que a até ao final da década o PIB mantenha um ritmo de crescimento médio anual de 2,2%.

A puxar pela economia vai continuar o turismo e as exportações que merecem rasgados elogios por parte dos analistas da instituição financeira. A S&P afirma que “o desemprenho das exportações tem ultrapassado os pares regionais”, e calcula que desde 2007 o ritmo de ganho de quota de mercado do país “ultrapassou o de outros países igualmente fortes nas exportações, como é o caso da Alemanha, Espanha ou Irlanda”.

A agência prevê que este desempenho continue no futuro, e estima que “a recuperação da zona euro e de outras áreas [para onde Portugal exporta] vão dar suporte ao crescimento económico”.

Este impulso das exportações “vai compensar o impacto da subida prevista no preço do petróleo e nas taxas de juro”, o que irá ajudar a melhorar a balança corrente e a reduzir o elevado endividamento externo.

A S&P antevê ainda “um desempenho sólido das vendas para o exterior em 2017, o que deverá elevar o peso das exportações de bens e serviços no PIB para cerca de 44%”, valor que compara com a fasquia de 29% registada há apenas sete anos.

Nuvens no horizonte das exportações poderão surgir, segundo a Standard & Poor’s, de uma quebra da procura externa — provocada, por exemplo, pelo processo do Brexit, — de um cenário de maior protecionismo a nível mundial ou de uma apreciação do euro face às moedas dos países para os quais Portugal exporta.

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