Start Tech: E quando não corre bem para as startups?

  • Ana Batalha Oliveira
  • 22 Setembro 2017

Thoughts Feels Good, Nozomi, All Desk e Kinematix: quatro startups que ficaram pelo start. Os fundadores contam os porquês e partilham as lições.

Start Tech – Empreendedorismo e TecnologiaPaula Nunes / ECO 22 Setembro, 2017

O empreendedorismo tem destas coisas: startups que não passam do início. As razões são várias, mas ninguém melhor para as contar do que quatro empreendedores que passaram pela experiência — e dela tiraram as suas lições. Esta sexta-feira, na conferência Start Tech, a Kinematix, Thoughts Feels Good, Nozomi e All Desk deram o seu testemunho.

A Kinematix chegou a receber um investimento de oito milhões de um fundo de investimento, o Portugal Ventures, mas fechou. Para o fundador, Paulo Santos, esta história está “muito longe de ser um insucesso” pois o que valoriza é as métricas que se propôs a alcançar. A maior perda que regista é o cessar de funções de uma equipa multidisciplinar de “gente que é automotivada — nem são arrogantes nem coitadinhos — e remavam todos para o mesmo lado”. Fez-se ouvir na entrevista por vídeo, mas esta é só uma das histórias que os quatro empreendedores partilham na primeira pessoa.

Foi o Web Summit que fez a Thoughts Feels Good repensar o seu percurso. A empresa estava a erguer-se desde 2014, e já tinha investido 30.000 euros no primeiro ano e outros 30.000 no seguinte. Em 2016, foi ao Web Summit “à procura de mais”, conta o fundador, Diogo Melo. Foram três dias com “um pitch impecável”, e três dias em que o pensamento que o acompanhava no regresso a casa era “isto não vai dar”. Porquê? O feedback dos investidores foi muito claro: “Não queremos saber de ideias, quero pôr dez e tirar vinte. Vou investir no que me dê menos risco“, recorda. O produto que vendia era uma aplicação para mostrar a quem se gosta cada vez que se pensa neles, sem esperar resposta.

Não sei se é por sermos latinos mas quando há sucesso queremos mostrar a toda a gente, quando não há mais vale fingir que nunca aconteceu.

Diogo Melo

Thoughts Feels Good

Decidiu parar por ali e há algo que lamenta: “Gostava de ter tido esta experiência mais cedo“, confessa, referindo-se ao Web Summit. Quando o projeto acabou, Diogo diz que fez questão de o tornar público pois “soube desde sempre que isto faz parte”. Contudo, comenta que a postura geral não é essa. “Não sei se é por sermos latinos mas quando há sucesso queremos mostrar a toda a gente, quando não há mais vale fingir que nunca aconteceu”.

Muitas vezes os empreendedores aceitam métricas que não fazem sentido mas que na altura são a única hipótese que temos.

João Carreiro

Nozomi

Na Nozomi, o travão também surgiu em reunião com os investidores. A decisão de terminar foi tomada após o encontro em que considerou que o investidor estava a fazer exigências que transpunham “o risco da chantagem”. “Muitas vezes os empreendedores aceitam métricas que não fazem sentido, mas que na altura são a única hipótese que temos”, confessa João Carreiro, o fundador. Mas concorda que os problemas de investimento são a melhor pista para um empreendedor saber quando parar. “Estamos a tentar vender o produto e é a lei do mercado. Se nenhum investidor comprou a ideia… É um sinal“.

“Foi provavelmente a melhor decisão que tomei” afirma Pedro Santos, acerca do final da startup que fundou, a All Desk. Uma espécie de “Airbnb das salas de reunião”. O momento em que percebeu que tinha de fechar a empresa… foi quando recebeu duas propostas de investimento de um milhão de euros cada. “Tinha de aceitar ou fechar a empresa”, e aceitar implicava aceitar condições que “não faziam sentido”. Olhou para a conta bancária, teve em conta que estava à espera do segundo filho, e decidiu que o mais sensato era utilizar as economias para pagar aos trabalhadores e pôr um ponto final, pois não queria perder mais tempo à procura de melhor investimento.

Reconhece porém que a análise daquilo que correu mal “é muito diferente agora do que seria na altura”, quando o empreendedor “sente a dor”. Para além disso, no momento de fechar, a maior preocupação será à partida “como é que vou pagar as contas”, humoriza.

As lições

Pedro Santos confessa que na altura se deixou “apaixonar pelo glamour de ser CEO de uma startup” e como tal fez “quase todos os erros clássicos”. Isto é, focar-se na angariação de capital e “muito pouco nos clientes”, observa. Acrescenta ainda que “é valioso olhar para o nosso negócio como investidor. Nem sempre é o nosso dinheiro de inicio, mas é o nosso tempo.”

É valioso olhar para o nosso negócio como investidor. Nem sempre é o nosso dinheiro de inicio, mas é o nosso tempo

Pedro Santos

All Desk

Diogo Melo destaca o crescimento pessoal. A experiência deu-lhe distanciamento” e a capacidade de separar a “parte criativa que quer mais e outra que diz calma”, partilha. A João Carreiro, a Nozomi mostrou que “700.000 euros é demasiado pouco dinheiro para fazer um produto hardware”.

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