“Temos de arriscar mais enquanto portugueses”

Miguel Pina Martins, fundador da Science4you, considerou que os portugueses devem "arriscar mais", como fizeram "há 500 anos" nos Descobrimentos. Afinal, há muitas startups à espera de serem criadas.

Os portugueses têm vindo a perder “apetência para o risco” ao longo dos últimos séculos, defendeu o líder da Science4you esta sexta-feira, apontando isso como um dos entraves ao surgimento de novas ideias e de novas empresas no panorama nacional das startups.

“Há 500 anos, nós, portugueses, entrámos num barco e fomos sem saber o que havia para lá. Hoje, a apetência para ao risco desceu. Se as pessoas arriscassem um bocadinho mais, tenho a certeza de que iríamos ter muito mais empreendedores, muito mais empresas como a Science4you, talvez até maiores. Se puder passar uma mensagem, é esta: temos de arriscar mais enquanto portugueses, há mais empresas à espera de serem criadas. Isso é possível”, disse Miguel Pina Martins, criador desta empresa de brinquedos lúdicos e didáticos, que regista já uma década de atividade.

O gestor português foi entrevistado por Malik Piara, líder da Upframe, num painel inserido na conferência “Start Tech – Empreendedorismo e Tecnologia”, promovida pelo ECO esta sexta-feira, em Lisboa.

Se as pessoas arriscassem um bocadinho mais, tenho a certeza de que iríamos ter muito mais empreendedores, muito mais empresas como a Science4you, talvez até maiores.

Miguel Pina Martins

Presidente executivo da Science4you

O fundador da Science4you lembrou como esta empresa, que fatura hoje cerca de 23 milhões de euros, começou num projeto na faculdade e que, na altura, os colegas apoiaram com investimento, mas não quiseram largar tudo para se juntarem a uma empresa em fase de criação. “As pessoas só investiram, mas não havia apetência para arriscar. As pessoas preferiram continuar com a vida delas, mais cómodas, e preferiram não arriscar”, recordou, lembrando ainda que havia uma “tempestade perfeita”, com um investimento de 45.000 euros na calha e “cartas de intenções” de outras grandes empresas interessadas na ideia.

Miguel Pina Martins considerou também que o ecossistema empreendedor está hoje assente em dois pilares que, há dez anos, quando lançou a Science4you, não estavam tão desenvolvidos. Um é o do financiamento: “Portugal precisa de financiamento interno, o externo ainda não vai surgir porque estamos numa fase muito seed [inicial]”, disse. O outro é o buzz mediático: “Os Web Summits da vida conseguem criar um buzz muito grande e este Governo tem conseguido muito bem comunicar o empreendedorismo, despertar nos jovens a possibilidade de poderem trabalhar na sua própria empresa”, acrescentou.

"Portugal precisa de financiamento interno, o externo ainda não vai surgir porque estamos numa fase muito seed [inicial].”

Miguel Pina Martins

Presidente executivo da Science4you

O jovem Malik Piara, responsável da Upframe — “uma organização que liga jovens ao mundo do empreendedorismo”, como explicou o próprio –, questionou depois Miguel Pina Martins sobre se esse buzz não pode fazer um empreendedor perder o foco. “Sinto que isso [o buzz] me distraía um pouco. Comecei a ficar mais focado na comunicação e desfoquei-me daquilo que devia estar a fazer em termos de trabalho”, disse Malik Piara. E perguntou a Miguel Pina Martins: como criar “um equilíbrio”?

Respondendo à questão, o presidente executivo da Science4you explicou que “ao fim de algum tempo, é possível afinal tudo”. Para o gestor, da mesma forma que o financiamento foi um pilar que evoluiu com o tempo na última década, a atenção mediática deverá ser um fator a encontrar equilíbrio nos próximos tempos. “O mercado vai permitir que o desenvolvimento seja feito na medida certa”, indicou. Afinal, “o empreendedorismo nem sequer era considerado uma palavra” quando nasceu a Science4you. “O capital de risco era uma coisa completamente estranha. Não tinha rigorosamente nada a ver com o panorama que temos hoje”, concluiu.

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