Dia D para o Novo Banco? Só na segunda-feira

Dia D para o Novo Banco? Ainda não é hoje. Isto porque só vão estar reunidos credores representativos de 2,7 mil milhões de euros em obrigações na segunda AG. O banco precisa de quatro mil milhões.

Presidente do Novo Banco, António Ramalho.Paula Nunes / ECO

Mesmo quando terminarem as 12 assembleias gerais (AG) de obrigacionistas do Novo Banco esta sexta-feira, o futuro do banco ainda não será conhecido. Isto porque só vão estar reunidos credores representativos de 2,7 mil milhões de euros em obrigações de um total de quatro mil milhões que o banco de transição ainda precisa de recomprar para obter uma poupança de 500 milhões de euros. Ou seja, mesmo que haja um grau de aceitação de 100%, só na segunda-feira é que se saberá se o Novo Banco conseguiu cumprir um requisito vital para concretizar a venda ao fundo Lone Star.

Foi no início deste mês, na primeira AG do Novo Banco, que os investidores deram aval ao reembolso antecipado de 2,34 mil milhões de euros de valor nominal de obrigações. Olhando para o total das 36 linhas, nove foram aprovadas. Das restantes 27 assembleias-gerais realizadas, em 15 até houve quórum, mas a proposta do Novo Banco foi rejeitada. As 12 que vão a votação esta sexta-feira representam apenas 2,7 mil milhões de euros, o que, no máximo, elevaria o grau de aceitação da proposta até cerca de cinco mil milhões de euros.

O Novo Banco disse aos investidores que a “conclusão da oferta e a implementação das propostas está sujeita à satisfação, ou renúncia pelo Novo Banco, das seguintes condições: a) o montante nominal agregado dos (i) Valores Mobiliários adquiridos pelo oferente no âmbito das ofertas, e (ii) Valores Mobiliários de cada série em relação às quais tenha sido aprovada a deliberação extraordinária, no âmbito da solicitação de consentimento, seja igual ou superior a 6.276.000.000 euros”. Mesmo que todos aceitassem a oferta nestas AG, não chegava ainda para alcançar o objetivo de 75%.

Segunda AG só conta com credores representativos de 2,7 mil milhões

O que esperar desta segunda AG?

Na segunda convocatória, que reúne pequenos e grandes investidores novamente em 12 assembleias gerais, o quórum mínimo deixa de ser 66% e passa a 33%, ou seja, será teoricamente mais fácil que a reunião se concretize. Nesta AG, e havendo o quórum mínimo, para que a oferta seja aprovada bastará então a aprovação por parte de investidores representativos de 25% do montante alvo da oferta, facilitando que o Novo Banco consiga avançar com a recompra dos 2,7 mil milhões de euros em dívida.

Os 2,7 mil milhões não são suficientes para que o Novo Banco alcance a meta dos 75% — após a primeira AG, o total recomprado correspondia a 37% do objetivo global definido para o sucesso da operação –, mas a Pimco pode ajudar, ou mesmo selar o sucesso da operação.

O Novo Banco tem procurado atrair os investidores para esta troca de dívida por depósitos ao oferecer-lhes juros entre 1% e 6,84%. A solução começou por ser rejeitada por grande investidores, mas a Pimco, por exemplo, acabou por aceitar as condições propostas uma vez resolvida a questão técnica que impedia a gestora de ter aplicações a prazo em Portugal — o Morgan Stanley criou o veículo.

500 milhões? Só se vai saber na segunda-feira

Mesmo depois de a Pimco ter dito que vai aceitar a oferta de recompra das obrigações do Novo Banco e passar o encaixe para depósitos, não é líquido ainda que o Novo Banco consiga obter a poupança de 500 milhões que precisa para concretizar a venda ao Lone Star.

Mas há ainda uma oportunidade para atingir esse valor já que a oferta continua “em cima da mesa” até segunda-feira. Os investidores que não aceitaram a oferta na primeira nem na segunda AG, poderão até ao dia 2 de outubro aceitar, ou não, as condições oferecidas pela instituição liderada por António Ramalho.

Resultados? Só no dia 4 de outubro

Segundo o calendário da operação, só na quarta-feira, dia 4 de outubro, é que devem ser conhecidos publicamente os resultados da oferta, não sendo obrigatório que se alcance a “almofada” acordada para que a venda do banco de transição avance. O Novo Banco deixou em aberto a possibilidade de ser o conselho de administração a tomar a decisão final.

“Caso não se verifiquem as Condições ou o Oferente não renuncie às mesmas, a Oferta não produzirá efeitos e as Propostas caducam, salvo se a Oferta for alterada”, de acordo o anúncio da oferta de aquisição. Contactado pelo ECO, o banco de transição preferiu não comentar sobre qual será o mínimo que o banco admite obter de poupança para avançar com a troca.

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