Morgan Stanley cria veículo financeiro que desbloqueia venda do Novo Banco

Foi o banco Morgan Stanley que encontrou a solução para investidores como a Pimco, que não podia ter dinheiro aplicado em ativos não transacionáveis, como os depósitos do Novo Banco.

Foi o Morgan Stanley que encontrou a solução que poderá ajudar a desbloquear a venda do Novo Banco ao fundo Lone Star. É este banco norte-americano que está por detrás do veículo financeiro que tornou viável a oferta de depósitos do banco português para muitos investidores, incluindo o fundo Pimco, que já disse que aceita vender as suas obrigações.

Em causa estava o facto de muitos obrigacionistas do Novo Banco não poderem ter dinheiro aplicado em ativos não transacionáveis, como é o caso dos depósitos. Estes credores não podiam colocar o encaixe da venda das suas obrigações em depósitos do Novo Banco e assim poderiam não aceitar a proposta de recompra de dívida que termina no próximo dia 2 de outubro.

Este problema técnico foi entretanto ultrapassado, conforme explicou fonte da Pimco ao ECO esta semana. E, segundo adiantaram fontes próximas do processo à agência Bloomberg, foi o banco Morgan Stanley quem apresentou a solução nas últimas semanas junto dos investidores. Esta operação de recompra de obrigações é essencial para que o Novo Banco seja finalmente vendido ao Lone Star.

Dentro desta estrutura, os depósitos serão titularizados em obrigações transacionáveis pelo veículo financeiro especial chamado Emerald Bay. O Morgan Stanley vai cobrar uma comissão aos investidores que decidirem colocar os depósitos neste veículo, disseram as mesmas fontes. O Novo Banco não esteve diretamente envolvido na criação deste veículo, revelou uma fonte.

Nenhuma das entidades envolvidas nesta operação fez qualquer comentário à Bloomberg.

O Novo Banco reúne novamente com os obrigacionistas esta sexta-feira. À data da última reunião faltava convencer investidores representando quase quatro mil milhões de euros, tendo ficado cumprido apenas 37% do objetivo que permitirá que o banco de transição reforce os seus capitais em 500 milhões de euros e seja finalmente vendido ao fundo norte-americano Lone Star.

Ao contrário da Pimco, outros investidores como o fundo Xaia Investment rejeitaram a operação, deixando incerto o resultado final da oferta.

(Notícia atualizada às 16h20)

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