Um ano de Startup Portugal. O que mudou?

Estratégia criada em parceria com o Governo é liderada pelo alemão Simon Schaefer. Esta quarta-feira comemora um ano com um evento no Hub do Beato, em Lisboa.

Um ano depois, há menos gravatas no Beato. “Este dia é não só de comemoração, mas de mobilização da comunidade empreendedora, de todo este ecossistema. Talvez estejamos no melhor sítio que firma o compromisso da cidade, do país e da Europa, com o ecossistema”, disse Fernando Medina, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, o primeiro a subir ao palco para falar do primeiro ano da Startup Portugal.

Manuel Caldeira Cabral na comemoração do primeiro aniversário da Startup Portugal.Paula Nunes / ECO

A associação, responsável pela dinamização da estratégia nacional para o empreendedorismo e liderada pelo alemão Simon Schaefer, cumpre um ano de trabalho. A equipa, que conta agora com nove pessoas (arrancou com quatro, há um ano), prepara-se para alargar a presença a mais dois pontos do país, com a abertura de dois novos escritórios: um no hub do Beato, em Lisboa, e o outro no Porto.

Há um ano, a Startup Portugal era um projeto, agora é uma realidade.

Manuel Caldeira Cabral

Ministro da Economia

“Vamos abrir dois novos escritórios, um em Lisboa e outro no Porto, e ter espaços de soft landing para startups portuguesas e de todo mundo”, esclarece Simon Schaefer, diretor da Startup Portugal.

“Há um ano andámos à procura de onde estavam os empreendedores para criar sinergias: criámos a rede nacional de incubadoras”, disse João Borga, diretor da Rede Nacional de Incubadoras.

Uma das novidades anunciada em palco foi a nova call aberta do Vale de incubação, com candidaturas já online. O programa Semente, anunciado pelo Governo e de apoio à formação de empresas, arranca com nova edição no início de 2018.

Friends with benefits

Ana Lehmann e Pedro Matias.Paula Nunes / ECO

“Startups e empresas têm grande margem e potencial para trabalharem juntas”, acrescentou esta tarde a secretária de Estado da Indústria, Ana Lehmann. “Trata-se de estabelecer um elo de conectividade para expandir o ecossistema. “Não estamos a reinventar a roda, isto não é novo, mas precisamos de intensificar o processo”.

A maior parte das empresas acha que a inovação mais importante não vem de dentro, por isso a inovação deve vir de fora, das startups. Da maneira como as coisas são feitas, emanam sobretudo das startups. E as grandes empresas estão atentas a estas realidades, a estes elementos. As startups lideram a inovação porque não estão dentro das burocracias e de outros processos que atrasam a disrupção”.

“Tínhamos de construir um novo futuro e por isso construímos a Startup Portugal”, justificou ainda Manuel Caldeira Cabral, ministro da Economia. “Sabíamos que faltavam incentivos de vários tipos e, por isso, continuamos a fazer um enorme esforço para captar investidores estrangeiros, não porque trazem dinheiro mas sobretudo porque trazem conhecimento.”

“Isto não é sobre ideias. É sobre produtos, takeovers, exportação. E lembrem-se: a música está a tocar, e nós a dançar”.

Novas candidaturas

O primeiro ano da Startup Portugal assinalou ainda o arranque de novas edições dos programas anunciados há um ano. É o caso do Programa Semente, que está a aceitar novas candidaturas. Elegíveis são empresas portuguesas com menos de cinco anos. O programa cria um regime fiscal mais favorável para investidores interessados em entrar para o capital social das startups com montantes que podem estar entre os 10.000 e os 100.000 euros: os benefícios podem ir até 40% da coleta anual de IRS e até 75% do montante investido, durante os três anos sucessivos ao investimento.

Também o Vale de Incubação abriu nova call: a iniciativa está entre as medidas desenhadas para apoiar empreendedores, incubadoras e investidores e o seu apoio pode ir até 5.000 euros e destina-se a startups em fase de arranque, para fazerem frente a despesas de incubação e contratação de serviços como contabilidade e fiscalidade, marketing ou formação em gestão. O vale pode ser gasto durante um ano numa das 135 incubadoras da Rede Nacional de Incubadoras. Entre os empreendedores elegíveis a este Vale estão portugueses e estrangeiros que tenham criado a sua empresa em Portugal há menos de cinco anos. As candidaturas decorrem até final de outubro.

Notícia atualizada às 18h52 com declarações de Manuel Caldeira Cabral. Atualizada a 5 de outubro às 10h30 com mais informação sobre os novos programas.

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