Empreendedorismo, um ecossistema com mais de 2400 startups

  • ECO + PT EMPRESAS
  • 6 Outubro 2017

Investimento público, boas condições de vida e um ambiente entusiasmante. Será isto que faz do ecossistema empreendedor português um dos melhores do mundo?

É já sabido e partilhado aquém e além mar que se tem desenvolvido em Portugal uma atmosfera propícia para os novos empresários, aqueles que trocaram os escritórios pelos espaços de cowork e os sapatos de verniz pelas sapatilhas. E se as palavras valem muito, os dados valem mais e corroboram tais dizeres: o ecossistema de startups português está a florescer alicerçado em casos reais e numa inequívoca capacidade para atrair talento.

O choque que este novo ecossistema está a gerar no próprio tecido empresarial dito “standard” não é desprezível bem como a contribuição para uma crescente cultura de transformação digital no contexto económico português.

Segundo dados da Startup Portugal, nos últimos 12 meses foram criadas 584 novas startups sendo que, não é por serem novas que não geram empregos. Cada startup, no seu primeiro ano de vida, cria em média 2,2 postos de trabalho. O peso dos novos empregos no total nacional é cada vez mais alto, ao mesmo tempo que a taxa de desemprego retrai e se fixa em valores abaixo de 10%. De acordo com a mesma informação, 46% dos novos empregos foram gerados por empresas com menos de cinco anos. Por outro lado, ao nível das startups assiste-se à utilização cada mais otimizada de serviços de outsourcing, data center e de soluções que facilitam o desenvolvimento do quotidiano dos negócios.

 

E não será apenas pelo sol e pela boa comida que os empreendedores se querem fixar no nosso país: para além dos vários programas privados de aceleração e incubação, já foram investidos mais de 140 milhões de euros de fundos públicos, em parcerias com venture capitalists e business angels.

A tudo isto acresce uma oferta de serviços crescentemente sofisticada assente em tecnologia Machine to Machine (ou M2M, trata-se de uma solução que permite a comunicação entre máquinas sem intervenção humana) e Internet of Things (ou IoT, diz respeito a uma rede que reúne e processa informação que permite gerar grande quantidade de dados). Estas duas tecnologias constituem como factores aceleradores de crescimento e sucesso dos novos negócios e das novas estruturas empresariais.

É o caso do StartUP Voucher, um programa de apoio à incubação de empresas que funciona como crédito a gastar para a contratação de serviços que já foi pedido por cerca de 500 projetos. Entre estes, foram aprovados 245. O mesmo acontece com o StartUP Vale Incubação, um apoio à incubação de novos projetos que, das 115 candidaturas, deu luz verde a 93.

 

92.090 km2 de oportunidades

Os 92.090 km2 que constituem o nosso país albergam 121 redes nacionais de incubadoras e mais de 2.300 startups incubadas. E não se pense que é só na capital que se expande o ecossistema português. Dos 409 empreendedores que receberam o apoio da StartUP Voucher, 170 eram da região Norte, 116 da região Centro e 94 de Lisboa e Vale do Tejo.

Estes tipos de investimentos locais no empreendedorismo são muito bons de ver porque não vemos muitos sítios da Europa a atrair tal número de projetos e entusiasmo.

Anand Kulkarni

Empreendedor e mentor da European Innovation Academy

Para além disto, e segundo dados do Startup Europe Partnership, o ecossistema empreendedor português cresce o dobro da média europeia, visto que, no ano passado, foram captados mais de 350 milhões de dólares em financiamento, um aumento de 38% face ao ano anterior.

Em entrevista ao ECO, Anand Kulkarni, fundador de duas empresas e mentor da European Innovation Academy, afirmou-se curioso com o surgimento deste novo ecossistema, garantindo que há poucos que se assemelhem. “Estes tipos de investimentos locais no empreendedorismo são muito bons de ver porque não vemos muitos sítios da Europa a atrair tal número de projetos e entusiasmo”, clarifica Kulkarni. “Assim, vamos começar a ver grandes projetos a crescer a partir do ecossistema e isso demora mas, ao mesmo tempo, funciona como um catalisador para outros empreendedores.”

É sobre estes solos férteis que se tem desenvolvido o ecossistema empreendedor português, com certezas de que os frutos não ficarão por aqui.

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