Peso das famílias no novo crédito é o mais alto desde 2006

As famílias portuguesas foram buscar 1.205 milhões de euros de crédito à banca, em agosto. Trata-se de mais de 37% do total de crédito disponibilizado naquele mês.

As famílias continuam a ser o motor da recuperação da concessão de crédito em Portugal. Dados do Banco de Portugal indicam que, em agosto, o peso das famílias no novo crédito disponibilizado pelos bancos nacionais atingiu o patamar mais elevada em mais de 11 anos.

De acordo com os dados disponibilizados pela entidade liderada por Carlos Costa, as instituições financeiras concederam um total de 1.205 milhões de euros em novo crédito, em agosto. Este valor corresponde a 37,1% face ao total de 3.250 milhões de euros dos novos empréstimos concedidos às famílias e empresas. Trata-se da proporção mais elevada desde maio de 2006, mês em que o crédito às famílias representou 39% do total de empréstimos disponibilizados.

Evolução do novo crédito no último ano

Fonte: Banco de Portugal | Valores em %

A crescente representatividade das famílias no total de crédito injetado na economia portuguesa surge por duas vias. A quebra dos níveis de concessão de crédito ao setor das empresas é um dos elementos da equação. Em agosto, os bancos nacionais concederam um total de 2.045 milhões de euros em empréstimos a este segmento. Trata-se do valor mais baixo desde abril deste ano, quando os empréstimos com essa finalidade se situaram nos 1.912 milhões de euros, e ligeiramente superior face aos 2.029 milhões que tinham sido disponibilizados em agosto do ano passado.

Os níveis de concessão de crédito às empresas continuam assim bastante aquém dos registados em 2014, quando os valor mensais da concessão oscilavam no intervalo entre os três e os quatro mil milhões de euros. Muitas empresas continuam a revelar-se muito reticentes em irem buscar financiamento junto da banca, apesar da quebra das taxas de juro oferecidas, mas a banca também mantém critérios mais rigorosos para as financiar tendo em conta os elevados níveis de malparado, especialmente das empresas.

Mas no que respeita às famílias, a realidade é muito diferente. Os portugueses estão a ir buscar cada vez mais dinheiro à banca, sobretudo para financiar a aquisição de casa. Em agosto, tipicamente um mês em que as famílias suspendem decisões importantes como é o caso de adquirir uma habitação, este ano não foi assim. Os portugueses solicitaram 709 milhões de euros em crédito à habitação. Este valor compara com os 683 milhões que se tinham verificado no mês anterior e suplanta em 197 milhões de euros o registado em agosto do ano passado.

As famílias aproveitam a melhoria das suas perspetivas financeiras, tendo em conta a recuperação da economia e do emprego, para regressar à tomada de decisão de comprar casa com recurso ao crédito. Os atuais níveis de concessão de crédito à habitação estão no patamar mais elevado desde o ano de 2010, suportados ainda pelo nível historicamente baixo dos indexantes usados nos contratos de crédito — que se mantêm negativos — mas também do recuo dos spreads cobrados pelos bancos que estão sedentos por libertar liquidez na economia. No acumulado do ano até agosto, foram concedidos 5.213 milhões de euros em crédito à habitação, 42% acima do verificado no mesmo período do ano passado.

São exatamente os mesmos fatores que ajudam a suportar o crescimento das restantes finalidades de crédito às famílias. Em agosto, foram concedidos 349 milhões de euros em crédito ao consumo, acima dos 328 milhões que se verificou em julho, mas também face aos 323 milhões de euros registados em agosto do ano passado.

No caso do crédito a particulares com outros fins, em agosto foram disponibilizados 147 milhões de euros. Ou seja, aquém dos 162 milhões verificados em julho, mas acima dos 143 milhões registados em agosto do ano passado.

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