Toshiba fora dos cuidados intensivos da Bolsa de Tóquio

Dois anos depois do escândalo financeiro que abalou a empresa, a Toshiba vê-se finalmente fora da lista de ativos em alerta da Bolsa de Tóquio. A atravessar um mau período, espera recuperar os lucros.

A Toshiba conseguiu finalmente ver-se fora da lista de observação da Bolsa de Valores de Tóquio, dois anos depois do escândalo financeiro de inflação dos lucros líquidos que a empurrou para lá. A atravessar uma crise financeira, a empresa vendeu atualmente a sua unidade de chips ao consórcio do Grupo Bain Capital e, para o exercício fiscal em curso, prevê regressar aos lucros.

A Tokyo Stock Exchange decidiu retirar a japonesa Toshiba da sua listas de ativos em alerta, ao fim de mais de dois anos, segundo informações avançadas esta quarta-feira pela Bolsa nipónica. Na razão desta saída estão melhorias nos controlos internos financeiros e esforços para melhorar o desempenho corporativa da própria empresa.

A gigante da tecnologia entrou para esta lista de observação da Bolsa de Tóquio depois do escândalo financeiro que abalou a empresa em 2015. Após uma investigação por parte de um grupo de analistas independentes à contabilidade da empresa por suspeitas de alteração dos resultados operacionais, descobriu-se que a empresa alterou os valores dos lucros operacionais em 170 mil milhões de ienes (mais de mil milhões de euros) durante vários anos em irregularidades financeiras “institucionais”, que envolveram vários executivos de topo, segundo dados avançados pela Reuters, e houve ainda um atraso na apresentação das contas para o ano fiscal de 2016.

A investigação apurou ainda que Hisao Tanaka, na altura presidente executivo da Toshiba, e Norio Sasaki, na altura vice-presidente do Conselho, tiveram conhecimento dos lucros exagerados e do atraso no registo de resultados da empresa. Em julho desse ano, a empresa demitiu Hisao Tanaka por ter tido conhecimento da situação.

A atual situação financeira da empresa não é muito positiva, já que a tecnológica regista prejuízos líquidos de 965.660 milhões de ienes (7.474 milhões de euros) no exercício fiscal de 2016, resultados esses apresentados com mais de três meses de atraso. Estas perdas da Toshiba, e todos os problemas de contabilidade que a rodeiam, devem-se às dificuldades financeiras da Westinghouse Electric, a divisão nuclear do gigante tecnológico japonês nos Estados Unidos, que entrou com um pedido de proteção contra falência em março.

Em setembro, a empresa fechou um acordo para vender a sua unidade de chips de memória flash ao consórcio do grupo Bain Capital, que inclui a Apple, a Dell e a Hynix. Um negócio que lhe rendeu cerca de 15 mil milhões de euros e que irá ajudar a Toshiba a ultrapassar a difícil situação financeira em que se encontra. Ainda assim, para o exercício fiscal em curso, que termina em março de 2018, a Toshiba prevê regressar aos lucros e encaixar 230.000 milhões de ienes (1.779 milhões de euros).

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