Puigdemont volta atrás. Mas as empresas não

  • ECO
  • 13 Outubro 2017

Num momento em que a autonomia catalã sofre um retrocesso, cada vez mais empresas pretendem abandonar a região. O Ministério dos Assuntos Exteriores não assume uma declaração de independência.

Era o momento pelo qual o mundo aguardava. Na terça-feira, Carles Puigdemont discursava no parlamento catalão para falar sobre o assunto da independência. Muitos esperavam a tão aguardada autonomia, mas as palavras do líder da Catalunha deixaram as expectativas independentistas entregues a uma suspensão da declaração da independência. Esta quinta-feira, o ministro espanhol dos Assuntos Exteriores, Alfonso Dastis, disse que o discurso do presidente do governo autónomo da Catalunha não declarou independência. E até Rajoy pediu esclarecimentos.

Ainda assim, as empresas seguem nas suas decisões de deixar a comunidade autónoma. A lista que já ascendia a mais de 30 conta agora com mais três. São elas a Idilia Foods, a Applus e a Bimbo. A Idilia Foods, empresa com mais de 70 anos e detentora de marcas como a Cola Cao e a Nocilla, mudará a sua sede para Valência de forma a “manter a segurança jurídica”, cita o El Confidencial. A Applus, lider no mercado das ITV na região catalã, anunciou a sua mudança para Madrid, e a Bimbo passará para o parque empresarial de Las Mercedes, também na capital espanhola.

A saída de empresas da Catalunha tem sido marcada pela mudança de instalações de entidades cotadas na bolsa espanhola, com perdas equivalentes a 50% do PIB da região. Empresas como o CaixaBank, a Abertis, o Banco Sabadell ou a Imobiliária Colonial constam do IBEX 35 e têm planos para deixar a comunidade espanhola. As perdas ascendem, no mínimo, aos 78.130 milhões de euros. A lista de organizações de saída da região cobrem áreas como a Banca, os Seguros e a Saúde.

Independência ou não?

Alfonso Dastis, ministro espanhol dos Assuntos Exteriores, afirma que o discurso do Carles Puigdemont não foi uma declaração de independência e lembrou que o executivo espera uma resposta clara antes de atuar.

“Para nós, eles ainda não o fizeram. Não o fizeram na sessão plenária do Parlamento. Fizeram-no noutra sala, rapidamente e apenas uma parte, sem dar à oposição a possibilidade de se expressar”, disse numa entrevista à cadeia francesa CNews.

O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, deu na quarta-feira cinco dias ao presidente regional catalão, Carles Puigdemont, para clarificar se declarou ou não a independência na região.

Segundo fonte governamental citada pela agência France Presse, Puigdemont tem até segunda-feira para dizer se, no seu discurso de terça-feira no parlamento regional catalão, fez uma declaração de independência ou não.

No caso de aplicação do artigo 155.º, o Governo espanhol “continuará a funcionar como sempre, com prudência, mas com firmeza”, para garantir a aplicação da Constituição e “fazer cumprir o Estado de Direito, a democracia e o direito constitucional de todos os catalães “.

Caso Puigdemont confirme que declarou a independência da Catalunha, Madrid dar-lhe-á um prazo suplementar – até ao próximo dia 19 – para fazer marcha atrás, antes de recorrer ao artigo 155.º da Constituição, que permite ao governo espanhol suspender a autonomia da região.

“A situação é séria, mas estamos otimistas”, afirmou o ministro. Alfonso Dastis disse que “Puigdemont não devia ter embarcado no caminho da independência” e espera que não seja necessário aplicar a força ou prendê-lo.

“Queremos evitar isso”, disse ele à CNews, lamentando que a situação na Catalunha “esteja a piorar devido ao processo secessionista”.

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