Centeno: Portugal pode crescer a um ritmo de 2% nos próximos cinco anos

  • ECO
  • 18 Outubro 2017

Mário Centeno diz que o "crescimento do PIB [previsto para 2018] é muito robusto". E vê o país a crescer 2% ao ano, nos próximos anos. O défice vai cair, a dívida também, baixando dos 120% em 2019.

Portugal está a crescer. E vai continuar, embora de forma menos expressiva. Ainda assim, o Governo prevê que o PIB aumente 2,2% em 2018, sendo que Mário Centeno diz que o país pode registar taxas de crescimento anuais de 2% durante os próximos cinco anos. Uma evolução positiva à medida que o défice cai, mas a dívida também. O rating pode subir, mas os juros da dívida devem cair. BCE é um problema? “Já está descontado” o fim do programa de compras, diz o ministro das Finanças.

Centeno diz que a reestruturação e estabilização do sistema financeiro terá acrescentado 0,5 pontos ao ‘output’ potencial da economia nacional, colocando-o agora em 2%, salientando, em entrevista à Reuters, que as deficiências no setor eram “altamente ‘detrimentais’ para o crescimento económico”. Assim, se se mantiver “o atual entorno externo, em que a procura externa cresce 4% ou um pouco acima, a Europa cresce próximo de 2%, Portugal pode crescer 2% nos próximos cinco anos“, adiantou.

Em 2017, Portugal deverá crescer 2,6%, antecipando-se uma desaceleração no próximo ano. “Nós continuamos a considerar a política orçamental muito prudente (…) e o crescimento do PIB é um crescimento muito robusto“, disse Centeno, lembrando que “um crescimento de 2,2% será, se se confirmar, o terceiro maior crescimento do século”.

“A projeção PIB (para 2018) é prudente, alinha em termos técnicos o crescimento do PIB com aquilo que, no estado atual da economia, consideramos que é o crescimento potencial de Portugal”, vincou Mário Centeno.

“É a melhor previsão (do PIB) para sustentar um exercício orçamental no qual nós não queremos correr riscos”, disse. “Se o PIB for melhor, como há riscos (positivos) que nos possam indiciar que assim seja, melhor. E vamos aproveitá-los para reduzir a dívida, credibilizar o exercício orçamental português, conter as pressões externas e internas”, rematou.

Baixar défice vai ser “mais fácil”

Ao mesmo tempo que vê a economia a crescer, Centeno está confiante na queda do défice. “2017 está objetivamente a ser um ano mais fácil do ponto de vista orçamental. Até pela credibilidade que ganhámos ninguém tem posto em causa as nossas metas e vamos cumpri-las de novo e vamos criar as condições para que 2018 seja também um ano mais fácil“, referiu o ministro das Finanças, projetando um défice de 1%.

“Os exercícios orçamentais em Portugal tornar-se-ão cada vez mais simples quanto menor for a dívida e quanto menor for o objetivo do défice porque nós já estamos num nível de saldo primário que, enquanto não houver uma alteração do perfil das taxas de juro, nos podemos manter”.

“Um nível de saldo orçamental primário (positivo) de 2,7% do PIB a 3% é compatível com a consolidação orçamental, com a redução da dívida e com o grau de desenvolvimento que o país tem porque o país precisa de crescer, investir, libertar recursos”.

Dívida em queda. 120% do PIB em 2019

O Governo estima que o rácio de dívida pública bruta desça para 123,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no final de 2018 contra 126,2% em 2017 e acima de 130% em 2016. Mas “se nós conseguíssemos colocar a dívida bruta abaixo de 120% do PIB no fim da Legislatura seria um excelente indicador (…) Esta trajetória sustentada, constante e gradual é aquilo que eu acho que Portugal deve ambicionar e implementar”, disse.

“E vamos fazer isto, sem pôr em causa a almofada financeira com que temos gerido a nossa dívida, os acordos no Mecanismo de Estabilidade Europeu (MEE) e garantindo uma trajetória sustentável para esta redução. É a grande novidade”, afirmou Centeno à Reuters.

 

Rating a subir. E o BCE?

O elevado nível de endividamento é motivo de preocupação para as agências de notação financeira. Ainda assim, e tendo em conta o crescimento da economia, o rating está a subir. A 18 de setembro, a Standard & Poor’s surpreendeu ao retirar o rating de Portugal de lixo, uma decisão que atirou as taxas de juro para um nível em torno dos 2,3%.

“Esperamos que a Fitch e a Moody’s o façam (sigam a S&P) (…) e que possam proximamente fazer também o upgrade, seguindo um ritmo mais normal”, afirmou Mário Centeno, desvalorizando ao mesmo tempo o impacto do fim do programa de compra de dívida do Banco Central Europeu. O fim das compras “não é um facto para Espanha, para Itália, para a Alemanha, mas já é um facto para Portugal”, salientou.

“Tecnicamente isso já está refletido na nossa dívida porque nós já não temos o apoio do BCE que tínhamos há um ano, um ano e meio e a participação nossa no programa do BCE está claramente abaixo da chave de capital que Portugal tem”, disse o ministro das Finanças.

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