Preço do Sunquick duplica. Veja quanto sobem as batatas, bolachas ou cereais com o OE

Entre impostos sobre sal, açúcar e álcool, a proposta de Orçamento do Estado para 2018 prevê aumentos que podem, em alguns casos, fazer duplicar o preço dos produtos.

 

Ainda é apenas uma proposta, mas caso se confirmem as medidas previstas no Orçamento do Estado para 2018 (OE 2018) no que respeita aos impostos especiais sobre o consumo (IEC), alguns produtos que fazem parte do cabaz de compras de supermercado de muitos portugueses vão ficar mais caros. Entre impostos sobre sal, açúcar e álcool, há casos em que os preços podem mesmo quase duplicar. É o que poderá acontecer com o Sunquick, por exemplo. No caso desse concentrado de sumo de frutas, a alteração do imposto sobre as bebidas açucaradas pode significar um aumento de preço de 84%, segundo cálculos efetuados pela consultora EY para o ECO.

As bebidas são um dos potenciais alvos de agravamentos de preços em resultado da subida do IABA (o imposto sobre o álcool, as bebidas alcoólicas e sobre, desde 2017, as bebidas adicionadas de açúcar e outros edulcorantes). Nas bebidas alcoólicas e nos refrigerantes, o agravamento do imposto não mexe muito nos respetivos preço, mas no que respeita aos concentrados, a reformulação da respetiva taxação, promete pesar substancialmente no bolso do contribuinte.

O Sunquick, um dos concentrados de sumo de fruta mais conhecidos, pode quase duplicar de preço. Um frasco de um litro desse concentrado custa atualmente 4,99 euros. De acordo com os cálculos da consultora EY, em resultado da reformulação do imposto, este produto pode passar a custar no próximo ano 9,16 euros. Ou seja, mais 4,17 euros ou 84% a mais face ao preço que vigora este ano. Estes cálculos da consultora têm como base uma circular do Ministério das Finanças, que estipula os critérios de aplicação do imposto aos concentrados. Em concreto, diz a circular que para efeitos de IEC, devem ser declaradas as quantidades totais em litro de produto final obtido com a diluição. Por exemplo, com um litro de concentrado, se se obtiver sete litros de produto final devem ser declarados sete litros de quantidade tributada.

Isto acontece porque se para 2017 a taxa definida para estes produtos foi igual à estipulada consoante as gramas de açúcar por hectolitro (8,22 euros por hectolitro até 80 gramas de açúcar e 16,46 euros por hectolitro acima dessa quantidade de açúcar), para 2018 o Governo pretende que os concentrados sejam tributados também consoante a sua forma (líquida ou sólida). “Na forma líquida, 50,01 e 100,14 euros por hectolitro, aplicando-se ao teor de açúcar o fator seis; apresentado sob a forma de pó, grânulos ou outras formas sólidas, 83,35 e 166,90 euros por 100 quilogramas de peso líquido, aplicando-se ao teor de açúcar o fator dez”, diz a proposta de OE de 2018.

Ou seja, caso o imposto seja repercutido na totalidade no preço de venda ao consumidor, o preço não só do Sunquick como dos produtos congéneres sofrerá um agravamento muito elevado.

Nas restantes bebidas açucaradas, que começaram a ser alvo de IABA no Orçamento do Estado de 2017, os danos sobre o preço são muito mais limitados. Estas: o Governo pretende aumentar em 1,5% esse imposto. O objetivo é taxar a 8,34 euros por hectolitro (100 litros) as bebidas cujo teor de açúcar seja inferior a 80 gramas por litro e a 16,69 euros por hectolitro as bebidas cujo teor de açúcar seja igual ou superior a 80 gramas por litro. No caso da Coca-Cola cuja composição ultrapassa 80 gr de açúcar por litro, o preço praticamente não mexe. Como exemplo, um pack de 12 latas (de 33 cl, cada) passa a custar 8,29 euros após a mudança do imposto. Ou seja, apenas mais um cêntimo face aos 8,28 euros atuais.

Acontece o mesmo com as bebidas alcoólicas. O imposto sobre a cerveja, as bebidas espirituosas e os vinhos licorosos deverá subir em 2018, em torno de 1,5%, segundo o proposto pelo Governo no OE. As cervejas passam a pagar um imposto que começa nos 8,34 euros por hectolitro para os volumes de álcool mais baixos e que vai até aos 29,30 euros por hectolitro no caso dos volumes de álcool mais elevados.

Já as bebidas espirituosas, nas quais se inclui gin e vodka, por exemplo, a taxa de imposto aplicável também vai sofrer um aumento, mas de 1,4%, passando dos 1.367,78 euros por hectolitro atualmente em vigor para os 1.386,93 euros por hectolitro em 2018. O mesmo aumento vai verificar-se no imposto aplicável aos produtos intermédios, ou seja, os vinhos licorosos.

Na cerveja, o impacto sobre o preço final dessa mudança deverá ser diminuto. Num pack de 15 unidades (33 cl, cada) de cerveja Super Bock o aumento será de apenas um cêntimo. O preço passa dos atuais 15,99 para 16 euros. Uma subida marginal também será refletida sobre o preço do gin. Uma garrafa de 75 cl Gordon’s que custe atualmente 15,99 euros, o respetivo preço sobe em cinco cêntimos com o aumento do imposto, passando a custar 16,04 cêntimos, revelam os cálculos da EY.

Sal a mais, paga mais

Mas a principal novidade da proposta de OE 2018 em termos de impostos especiais sobre o consumo é a introdução de um imposto sobre os alimentos com elevado teor de sal, uma medida em que o Governo estima arrecadar 30 milhões de euros no próximo ano a serem consignados a programas de promoção de saúde. O novo imposto será de 80 cêntimo por quilo e tem como alvo as bolachas, biscoitos, batatas fritas e desidratadas e flocos de cereais, quando estes alimentos tiverem mais de um grama de sal por cada 100 gramas de produto.

No conjunto de seis produtos alimentares considerados na análise efetuada pela EY — bolachas de água e sal, cereais corn flakes, batatas fritas, e dois tipos de snacks — o agravamento do preço final do produto varia entre 8% e 17%, se a totalidade do imposto for repercutido sobre o consumidor. Esses agravamentos têm em conta o novo imposto, mas também o IVA que é adicionado posteriormente.

No caso de uma embalagem de 500 gr de cereais corn flakes da Kellogg’s, que custa atualmente 2,89 euros na loja online do Continente, após a aplicação da taxa do sal e do IVA, o preço sobe para 3,38 euros. Trata-se de um aumento de 17,02% ou de 49 cêntimos, de acordo com os cálculos da EY. Cada 100 gr destes cereais tem o equivalente a 1,13 gramas de sal, de acordo com a ficha técnica do produto. Num quilo significa 11,3 gramas de sal.

Já um pacote de batatas fritas de 170 gr Ruffles que custa atualmente 1,45 euros, poderá ver o respetivo preço subir em 11,5% ou 17 cêntimos, para os 1,62 euros. Também os snacks e as bolachas não escapam a esse novo imposto. No caso, das bolachas de água e sal não constitui particular surpresa, mas o mesmo poderá não acontecer com a tradicional bolacha Maria que em diversos casos também ultrapassa a dosagem de um grama de sal por 100 gr de produto. Numa embalagem de 300 gr de bolachas Maria da marca Vieira, dividida em 12 doses individuais, esse limite mínimo é ultrapassado. O preço atual dessa embalagem é de 2,19 euros, sendo que após a nova taxa e o IVA o seu preço sobe para 2,49 euros. Ou seja, fica 30 cêntimos ou 13,7% mais cara.

Veja quanto sobe cada um dos produtos

Bolachas de Água e Sal

Um pacote de bolachas de água e sal (125 gr) desta marca contém 1,9 gr de sal por cada 100 gr. Com a aplicação da taxa do sal, o preço do pacote sobe dos atuais 79 para 91 cêntimos. Ou seja, um aumento de 15,57% ou de 12 cêntimos.

Bolachas Maria

Há bolachas Maria com mais de 1 gr de sal por cada 100 gr. Esta embalagem (300 gr) custa 2,19 euros. Com a aplicação do imposto do sal esse preço é agravado em 13,7%. Passa a custar 2,49 euros. Isto é, mais 30 cêntimos.

Corn Flakes

Estes cereais contêm 1,13 gr de sal por cada 100 de produto. Uma embalagem de 500 gr custa 2,89 euros, mas após a aplicação da taxa do sal, o preço sobe para 3,38 euros. Trata-se de um aumento de 17,02% ou 49 cêntimos.

 

Ruffles

Um pacote de batatas fritas (170 gr) desta marca contém 1,3 gr de sal por cada 100 gr, nível que se justifica a aplicação do imposto sobre o sal. Se tal se confirmar o respetivo preço passa dos atuais 1,45 euros para os 1,62 euros. Isto é: mais 17 cêntimos ou 11,5%.

Pringles

Estes snacks de batatas (190 gr) têm na sua composição uma porção de 1,3 gr de sal por cada 100 gr, o que significa que também é alvo do novo imposto. O preço da embalagem passa a ser de 2,54 euros, quase 8% acima do preço atual: 2,35 euros. Ou seja, são mais 19 cêntimos em cada embalagem.

SnackMix

Uma embalagem destes snacks (250 gr) contém 2,9 gr de sal por cada 100 gr de produtos. Com a aplicação do imposto do sal, o preço sobe perto de 10%, dos atuais 2,49 euros para 2,74 euros. Na fatura a diferença é de 25 cêntimos.

Coca-Cola

Cada litro deste refrigerante contém 106 gr de açúcar, acima do limite mínimo de 80 gr que justificam o IABA mais elevada. O agravamento desse imposto, contudo, irá refletir-se num aumento de apenas um cêntimo, para 8,29 euros, num pack de 12 latas (33 cl) de Coca-Cola

Sunquick

É um concentrado líquido com mais de 80 gr de açúcar por litro na mistura final. Com a alteração da forma de tributar este tipo de bebidas, este produto poderá sofrer um aumento de quase 84% no preço. Uma embalagem de um litro que custa 4,99 euros, passa a custar 9,16 euros. Ou seja, 4,17 euros a mais.

 

Super Bock

O agravamento do IABA sobre o álcool terá um impacto reduzido no preço da cerveja. Considerando um pack de 15 garrafas de 33 cl, a subida é de apenas um cêntimo. O preço sobe dos atuais 15,99 euros, para 16 euros (+0,09%).

Gordon’s

O agravamento do IABA nas bebidas espirituosas implica um aumento de 0,31% no preço final deste gin. Uma garrafa de 70 cl que custe 15,99 euros, passa a custar 16,04 euros. Ou seja, mais cinco cêntimos.

(Notícia atualizada com informação sobre a circular do Ministério das Finanças a propósito da aplicação do IEC sobre os concentrados)

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Preço do Sunquick duplica. Veja quanto sobem as batatas, bolachas ou cereais com o OE

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião