Tiago Martins de Oliveira: “Soluções lineares ou simples não se aplicam”

  • Juliana Nogueira Santos
  • 24 Outubro 2017

Na tomada de posse como presidente da Estrutura de Missão para os fogos rurais, Tiago Martins de Oliveira deixou claro que não podem haver "soluções lineares ou simples".

Tiago Martins de Oliveira é o novo presidente da Estrutura de Missão para a Instalação do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais.

Tiago Martins de Oliveira, o novo presidente da Estrutura de Missão para a Instalação do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais, deixou claro que num fenómeno tão complexo como os incêndios florestais, tal como já experienciou na primeira pessoa, “soluções lineares ou simples não se aplicam”. “O meu papel é catalisar a mudança”, afirmou.

"Temos de prestar contributo em memória dos que partiram e honrar a esperança dos que sobreviveram.”

Tiago Martins de Oliveira

No seu discurso de tomada de posse, o mais recente dirigente fez questão de partilhar a sua experiência como bombeiro sapador, sendo que, no incêndio de 2003 que deflagrou na Chamusca, fazia parte da equipa dos dois bombeiros chilenos que morreram. “Temos a obrigação, o dever e a responsabilidade de dar o nosso contributo para que as coisas mudem”, continuou Tiago Martins de Oliveira. “Temos de prestar contributo em memória dos que partiram e honrar a esperança dos que sobreviveram”.

O foco no litoral e o abandono das zonas rurais foram apontadas pelo presidente da Estrutura de Missão como um dos fatores que levou a catástrofes como a de 15 de outubro, “num país em que o litoral tem de olhar mais para o interior”. “As causas são antigas e vão levar tempo a corrigir e a alinhar os esforços na mesma direção”, assumiu.

Para tal, o responsável afirma uma união de disciplinas como a antropologia e a ciência política aos fundamentos florestais “para construir um modelo de governança de risco mais equilibrado” e, consequentemente, “uma estratégia colaborativa concretizada no espaço e no tempo”.

O corpo liderado por Tiago Martins de Oliveira vai, assim, apoiar o Governo na aplicação das recomendações da comissão independente, bem como apresentar outras soluções. Nos próximos 14 meses irá também ser preparada a Agência para a Gestão Integrada de Fogos. A palavra final ficou para os mais novos, “para que tenham um presente no futuro”.

“Poucas pessoas estariam em melhores condições para este cargo”

António Costa saúda Tiago Martins de Oliveira rodeado por membros do XXI Governo Constitucional..Paula Nunes/ECO

Na mesma cerimónia, António Costa reiterou a confiança em Tiago Martins de Oliveira, afirmando que “poucas pessoas estariam em melhores condições que ele para este cargo” não só devido à experiência vivida, mas também ao conhecimento académico. “Não há verdadeiras reformas que não se ancorem no verdadeiro conhecimento científico”, acrescentou.

Assim, o primeiro-ministro quer que esta agência seja “incubadora desde novo modelo que temos de preparar para reforçar a segurança das populações e valorizar as floresta”. Para além disso, o Governo quer também apostar na formação e capacitação não só dos corpos de prevenção e combate já existentes, mas também de novos que venham a ser criados.

“Daqui a 14 meses, quando estivermos a fazer o balanço desta renovação, estaremos todos mais confiantes que estão consolidadas as bases para a prevenção e combate de incêndios”, concluiu o primeiro-ministro, numa sessão que acabou por não ser aberta a questões dos jornalistas, ao contrário do anunciado.

(Notícia atualizada às 12h35 com mais informações)

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