Pedrógão Grande: Novo relatório culpa cinco entidades e deixa conselhos

  • Juliana Nogueira Santos
  • 16 Outubro 2017

O relatório do grupo de trabalho liderado pelo investigador Xavier Viegas culpa cinco entidades, entre as quais a EDP e a Ascendi. E deixa recomendações que podem já ter sido ouvidas pelo Governo.

Chegou um novo relatório às mãos da ministra Constança Urbano de Sousa e do Executivo de António Costa, relativo aos incêndios de junho de 2017. Neste, o grupo de investigadores do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais da Universidade de Coimbra, aponta responsabilidades a cinco entidades, entre as quais a EDP e a Ascendi, e deixa alguns conselhos ao Governo, que parecem já ter sido ouvidos, ou pelo menos reproduzidos pelo Executivo.

O grupo liderado pelo investigador Domingos Xavier Viegas afirma que, ao contrário do que se pensava, as ignições foram causadas por “contactos entre a vegetação e uma linha elétrica de média tensão”, o que aponta para “uma deficiente gestão de combustíveis na faixa de proteção da linha, por parte da entidade gestora”, ou seja, pela EDP. Assim, o grupo alerta para a falta de limpeza de vegetação e mato na proximidade dos fios e postes, que é da responsabilidade da elétrica nacional.

A falta de limpeza é também um dos problemas apontados à Ascendi, que falhou na limpeza das bermas das estradas, o que “permitiu que muitas pessoas fossem colhidas em plena fuga, pelo fumo e pela radiação do incêndio, pelas chamas da vegetação em redor e mesmo por árvores caídas na própria estrada.”

"A falta de limpeza da envolvente das estradas permitiu que muitas pessoas fossem colhidas em plena fuga, pelo fumo e pela radiação do incêndio, pelas chamas da vegetação em redor e mesmo por árvores caídas na própria estrada.”

Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais da Universidade de Coimbra

Relatório do grupo de trabalho do Governo

A partilhar responsabilidades da tragédia de Pedrógão Grande estão também os bombeiros, o INEM e a Proteção Civil, uma vez que “se o socorro tivesse sido mais pronto e organizado”, poderia ter sido “evitado algumas mortes e muito sofrimento aos feridos”. O relatório enumera como os principais problemas “a falta de coordenação dos serviços de combate e de socorro”, “a dificuldade de pedido de socorro das por parte das populações” e “o agravamento das consequências do incêndio”.

As recomendações foram deixadas (e reproduzidas)

Numa versão resumidas, são onze as recomendações deixadas pelo grupo de trabalho. A deficiência das infraestruturas dita uma maior “dotação” das mesmas, dotação esta que é sublinhada na “capacidade de resiliência [das comunidades] perante o risco” através do apoio de “medidas de organização de sistemas de autoproteção e autodefesa e a adoção de medidas de prevenção e de socorro”, pode ler-se no relatório.

Para os investigadores, as entidades têm de preparar “o país para um tal cenário e evitar uma tragédia semelhante”, visto que “podemos contar que as condições em que ocorreu a tragédia de Pedrógão Grande se podem repetir”.

Olhando para as declarações desta segunda-feira do primeiro-ministro e da ministra da Administração Interna relativamente à vaga de incêndios que assola o país, podem até surgir algumas semelhanças, na medida em que Costa admitiu que os problemas” vão repetir-se e Urbano de Sousa defendeu o aumento das medidas de “autoproteção” para que as comunidades se tornem “mais resilientes”.

A atenção é também virada para “um grande cuidado na seleção dos quadros de Comando da estrutura da ANPC e dos Bombeiros”, para assim aumentar a qualificação dos agentes e, consequentemente, “a segurança e a confiança [aos cidadãos] de que serão socorridos sempre por pessoas qualificadas e da máxima competência”.

(Notícia atualizada às 20h10 com mais informação)

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Pedrógão Grande: Novo relatório culpa cinco entidades e deixa conselhos

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião