Explorers: Melhor ideia de turismo? Está a andar de barco

De entre as doze equipas finalistas, Boatify foi a grande vencedora do programa Tourism Explorers. A empresa de aluguer de barcos arrecadou 10 mil euros de prémio.

Tourism Explorer. Final em Braga

Boatify e João Villa-Boas. Fixe estes dois nomes porque de futuro vai ouvir falar deles. A Boatify é a empresa liderada por João e, a grande vencedora da primeira edição do Tourism Explorers, programa nacional de criação e aceleração de startups de turismo, lançado pela Fábrica de Startups e pelo Turismo de Portugal em parceria com a Nos.

Em cinco minutos, o tempo de que dispunha cada uma das 12 finalistas para apresentarem a sua ideia de negócio a um painel de jurados, João não perdeu tempo e apresentou o seu projeto de vida, a Boatify. A sala, onde decorria o evento, na Startup de Braga, estava cheia de empreendedores e aspirantes a empreendedores. Todos tinham a ambição de vencer e de arrecadar o cheque de 10 mil euros para investir no seu negócio e o acesso ao Web Summit. Mas nem isso pareceu intimidar o jovem médico do Porto.

Mas o que faz concretamente a Boatify?

Em estilo descontraído, de quem incorpora o papel de CEO, mas também o de vendedor do produto, João explicou aos jurados, citando J.P: Morgan, que “se precisa de perguntar qual é o preço de um barco, é porque provavelmente não tem dinheiro para o comprar.” E é nesse caso que entra a Boatify, uma empresa que se dedica ao aluguer de barcos. A empresa assume-se como uma plataforma online que oferece um serviço de aluguer de barcos a nível mundial, que inclui um seguro para todas as viagens. No fundo, trata-se de proporcionar experiências a bordo mesmo de quem não é proprietário e aos proprietários permite rentabilizar o investimento compensando os custos de propriedade.

João explicou que a oferta é caótica e, para verificar isso, basta olhar para as diferentes marinas e ver o número de barcos atracados. É aliás, aqui, que reside o segredo da Boatify: os proprietários dos barcos têm-nos parados cerca de 92% do ano mas os custos nem por isso diminuem: em média, cada embarcação custa seis mil euros por ano ao proprietário. Para além de João, fazem parte da equipa mais quatro elementos: Diogo Capela, Pedro Canedo, Ricardo Lobo, Ighor Martins.

100 euros e uma viagem ao Algarve

No dia em que dois dos fundadores Boatify, durante uma semana, bateram à porta de todos os hotéis cinco estrelas da região — a uma média de oito hotéis por dia — a “labuta” parece ter dado os seus frutos. O investimento inicial foi mesmo esse: uma viagem ao Algarve e um capital de 100 euros. Hoje, muito mudou: a empresa tem “consigo” algumas das mais prestigiadas cadeiras hoteleiras do país: no total são mais de 30 hotéis parceiros, e uma faturação de 25.000 euros, assegurada por uma frota que passou de 15 para 52 barcos disponíveis na plataforma. O negócio, além de crescer, evoluiu para o mercado internacional: além das onze marinas portuguesas, a rede conta com mais quatro espanholas.

“No próximo verão, quem quiser pode alugar um barco através da Boatify em Ibiza”, assegura João Villas-Boas.

Em termos de projeções, a Boatify estima no primeiro ano um lucro bruto de 191 mil euros, no segundo ano, 657 mil euros e, no terceiro ano, 2,6 milhões de euros.

Talvez por isso a vitória da Boatify não tenha apanhado ninguém desprevenido: as equipas adversárias apostavam na vitória da empresa do Porto. E isto porque diziam que o negócio é “escalável” e a apresentação tocou em todos os pontos essenciais.

E agora, o que muda na vida da Boatify?

Nada e tudo, responde rapidamente João Villas-Boas. “Esta vitória representa para nós a validação externa do nosso projeto. Para o empreendedor a sua ideia é sempre a melhor ideia do mundo, mas nós somos suspeitos e este voto de confiança vem reforçar a nossa crença e a nossa vontade de trabalhar para levar a Boatify a bom porto”, reforça o CEO da empresa.

Quanto a financiadores, João assegura que “já temos algumas propostas anteriores ao Tourism Explorers e agora, após este programa, acreditamos que vamos chamar ainda mais a atenção dos Business Angels portugueses”. João diz que tem um valor em mente mas não adianta qual e diz mesmo que “temos também pessoas que, para nós, seriam parceiros preferenciais entre os quais está a Portugal Ventures”.

O programa Tourism Explorers vai ter a sua segunda edição no próximo ano. António Lucena de Faria, presidente da Fábrica de Startups, adiantou ao ECO que a organização vai avançar com a segunda edição do programa. “O que queremos é que, em vez de termos 12 cidades a participar, possamos passar para 20 cidades, até porque o objetivo deste programa é fortalecer o ecossistema empreendedor e contribuir para a criação de novas oportunidades no setor turístico“.

Lucena de Faria diz que ainda não há datas, mas assegura que gostava de lançar o programa no primeiro semestre de 2018. E as novidades não se esgotam aqui. O presidente da Fábrica de Startups promete “uma ação de continuidade”.

“O que notamos é que, muitos destes programas de aceleração fazem o acompanhamento mas, quando terminam, não têm continuidade. As equipas sentem-se muitas vezes abandonadas porque estiveram intensamente a trabalhar com os mentores, seguiram toda a metodologia, mas depois nada disso continua”, refere Lucena de Faria.

E é para acabar com esta sensação que a Fábrica de Startups “está a equacionar a continuidade do programa, de modo a que as pessoas percebam que podem continuar a contar connosco. Vamos continuar a dar-lhe ferramentas, a dar-lhes mentoria de modo a assegurar que a motivação continua lá e que têm que continuar a fazer o trabalho que têm que fazer”.

“Há aqui excelentes ideias mas é verdade que algumas destas ideias precisam de mais trabalho”, diz o responsável. Logo, é preciso “criar uma comunidade onde estas pessoas se sintam acarinhadas e, sobretudo, onde possam encontrar um sítio para colocarem as suas perguntas e encontrem respostas“. No fundo, trata-se de “criar um acelerador virtual, que continuará a funcionar muito alavancado em cima da internet”.

O Tourism Explorer iniciou o seu processo em julho de 2017, com a fase de ideação, onde foram identificadas as principais necessidades do setor turístico e desenvolvidas dezenas de soluções inovadoras para o turismo nacional. Este programa progrediu depois para a fase de aceleração com 84 projetos em 12 cidades a trabalhar em simultâneo no desenvolvimento e validação dos seus projetos.

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António Costa

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