Cidadãos forçados a sair? “É inimaginável”, diz Boris Johnson

  • Tiago Varzim
  • 27 Outubro 2017

O ministro dos Negócios Estrangeiros veio a Portugal para reunir com governantes, mas também com empresários e outras personalidades. Boris Johnson garantiu que quer proteger os direitos dos cidadãos.

Boris Johnson, ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, numa conferência de imprensa conjunta com Augusto Santos SIlva, ministro dos Negócios Estrangeiros português.PAULA NUNES / ECO

“Não consigo imaginar um cenário em que esses cidadãos [estrangeiros] serão obrigados a sair. É inimaginável”, classificou o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico numa conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo português. Em Lisboa, Boris Johnson pediu a ajuda de Portugal para que as negociações com a União Europeia acelerem. Os direitos dos cidadãos são a prioridade das conversações, garantiu Augusto Santos Silva.

Este foi o terceiro encontro entre os dois responsáveis pelas relações externa de Portugal e do Reino Unido, países que juntos têm uma aliança de séculos — um dos factos mais recordados durante as respostas de ambos. Boris Johnson recorreu até a um peculiar ponto para demonstrar que esta “é uma história de sucesso sem interrupções”: a personagem fictícia cinematográfica James Bond foi “intelectualmente concebida no Estoril”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico.

Pormenores à parte, Boris Johnson tinha uma mensagem clara a deixar: “no espírito da aliança entre Portugal e o Reino Unido”, disse, fez o pedido ao Governo português para ajudar na aceleração das negociações em Bruxelas. “Temos de chegar a um acordo, mas não conseguimos chegar lá com os atrasos dos nossos parceiros europeus”, criticou o ministro britânico, referindo que quer passar à segunda fase das negociações. A sua prioridade, garantiu, é também assegurar os direitos dos cidadãos europeus e britânicos “o mais rapidamente possível”.

Do lado português, Augusto Santos Silva garantiu que “o Brexit não será o colapso da aliança, pelo contrário, vai aumentar a responsabilidade para melhorar as nossas relações bilaterais“. Os dois homólogos asseguraram estar a trabalhar nesse sentido e nem a estrutura de missão que o Governo português tem em marcha para atrair empresas que queiram sair do Reino Unido beliscou a relação.

Temos de chegar a um acordo, mas não conseguimos chegar lá com os atrasos dos nossos parceiros europeus.

Boris Johnson

Ministro dos Negócios Estrangeiros britânico

“No primeiro semestre o investimento britânico em Portugal subiu muito e esperamos que continue a subir”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros português, argumentando que o país é a melhor alternativa para as empresários que queiram sair do Reino Unido, mas que querem continuar próximas dos britânicos. Em reação, Boris Johnson fez questão de dizer que é favor do “comércio livre” e que é “fantástico” que haja investimento britânico em Portugal. “O que é bom para Portugal é bom para o Reino Unido“, concluiu.

O único vestígio público da visita de Boris Johnson a Portugal foi o encontro bilateral com Augusto Santos Silva. No Ministério dos Negócios Estrangeiros, os dois homólogos discutiram o processo negocial da saída do Reino Unido da União Europeia, mas também outros assuntos da agenda internacional.

Foi no início deste mês que a primeira-ministra britânica publicou um guia legislativo para o pós-Brexit. Uma vez que o Reino Unido perde grande parte da legislação em vigor com a saída da UE, os britânicos estão já a preparar-se para iniciar uma maratona legislativa. Em Bruxelas, as negociações continuam focadas no acordo final de saída e só depois serão discutidas as relações comerciais.

(Atualizado às 13h07)

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