Volkswagen resiste ao escândalo das emissões dos veículos diesel. Lucros superam expectativas

  • Ana Batalha Oliveira
  • 27 Outubro 2017

Apesar de lucros inferiores aos de 2016, as vendas da fabricante automóvel alemã sobem e superam as estimativas dos analistas.

A Volkswagen surpreendeu com a subida das vendas ao longo dos primeiros nove meses do ano. A empresa resiste desta forma ao impacto do escândalo das emissões dos veículos diesel, apesar dos lucros do terceiro trimestre serem substancialmente inferiores aos de 2016.

Os lucros do terceiro trimestre caíram 51,2% em relação ao mesmo período de 2016. Contudo, os lucros operacionais antes de eventos extraordinários aumentaram 15% para os 4,31 mil milhões de euros em relação ao ano anterior. Estes números superaram até a expectativa mais otimista dos analistas consultados pela Reuters, que apontavam para os 4,17 mil milhões de euros. A empresa gerou 1,85 mil milhões em cash no último trimestre.

Globalmente, as vendas de veículos Volkswagen cresceram 2,6%, ou seja mais 197,405 unidades do que nos primeiros nove meses de 2016, atingindo as 7.806.672 entregas. A região com a maior subida foi a América do Sul, que aumentou 21,6% à boleia da Argentina, seguido pela Europa Central e de Leste, onde as vendas aumentaram 12,1%.

As contas da fabricante automóvel sentiram ainda um peso de 2,6 mil milhões referente ao escândalo de emissões diesel, que remonta a 2015. A expansão da linha desportiva com modelos como o VW Atlas, Skoda Karoq e o Seat Ateca ajudaram a atrair mais clientes e a absorver os custos do escândalo. Também o investimento nos carros de condução autónoma e elétricos se faz notar no balanço.

Na Europa, a empresa atribui o crescimento de 1,1%, abaixo do do mercado, ao facto de a “confiança dos consumidores ainda não ter sido totalmente restaurada na sequência do escândalo das emissões diesel”, lê-se no relatório de contas. Também a discussão em torno da possibilidade de banir os veículos a diesel nas cidades terá afetado os resultados. Os modelos Tiguan, Audi Q2 e Audi A5 viram as maiores subidas.

Na sequencia dos bons resultados, espera-se que as margens operacionais cresçam ligeiramente acima do 6 a 7% inicialmente projetados, declarou a Volkswagen, citada pela Bloomberg. Analistas do Metzler Bank afirmam ainda à agência de notícias que “a Volkswagen tem mais potencial para melhorar os lucros nos próximos trimestres” e sublinham a resiliência da empresa.

As ações da empresa subiram para máximos de janeiro, atingindo esta sexta-feira um pico de 150,10 euros por título. O valor avança 2,89% nesta última sessão da semana.

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