Prestação do crédito da casa cai, mas só para alguns

Encargos dos créditos à habitação que usam as taxas a 6 e 12 meses recuam para novo mínimo. Contratos que usam Euribor a três meses, pelo contrário vêem os encargos mensais aumentarem.

O seu crédito à habitação está indexado às Euribor a seis ou 12 meses e revê a prestação no próximo mês? Então prepare-se, porque vai ter boas notícias. Os contratos que usam estes dois indexantes, revistos em novembro, vão beneficiar de um novo alívio de encargos, que recuam para um novo mínimo histórico. Menos sorte, terão as famílias cujos créditos têm como referência a Euribor a três meses, já que nesses casos, a prestação aumenta apesar de muito pouco.

Assumindo o cenário de um crédito no valor de 100 mil euros, a 30 anos, e com um spread de 1%, o valor da prestação mensal aumenta em quatro cêntimos (0,01%), para se fixar nos 306,75 euros, para o caso de quem tem o empréstimo associado à Euribor a três meses. Trata-se de um agravamento muito ligeiro (0,01% ou quatro cêntimos), mas que representa uma nova realidade para essas famílias que, desde a revisão de julho de 2014 não viam os seus encargos com a prestação da casa aumentarem.

Este será o segundo grupo de famílias que usam o indexante a três meses como referência no seu empréstimo da casa a verem encarecer os seus encargos com prestações. Foi o que aconteceu com quem reviu a prestação da casa no início de outubro, as primeiras famílias a serem afetadas por uma subida após três anos consecutivos de quebras nos encargos mensais.

Já quem tiver os seus empréstimos associados às Euribor a seis e 12 meses vão ver as respetivas despesas com a prestação registarem uma nova descida. Assumindo o mesmo cenário base, quem usa o indexante a seis meses vê a prestação fixar-se na revisão de novembro nos 309,21 euros. Ou seja, menos 0,4% face ou 1,25 euros a menos, em comparação com a prestação fixada há seis meses.

No caso dos empréstimos associados à Euribor a 12 meses, a taxa de referência mais utilizada atualmente pelos bancos nos créditos de taxa variável, a prestação volta a baixar. A partir de novembro e durante um ano estará fixada nos 313,44 euros, 1,6% ou 5,04 euros, aquém do que se passou ao longo do último ano.

BCE reduz estímulos, mas juros devem continuar baixos

Apesar do avanço ligeiro dos encargos de quem tem crédito indexado à Euribor a três meses, não há sinais que apontem para um agravamento dos encargos com prestações. A expectativa é de que as Euribor se mantenham em níveis baixos ainda durante algum tempo.

Aliás, os últimos dados sobre a evolução destes indicadores reforçam isso mesmo. Nesta segunda-feira, a Euribor a três meses manteve-se fixada no mínimo histórico de -0,332%, pela quarta sessão consecutiva. O mesmo aconteceu com o indexante nos restantes dois indexantes: a seis meses recuou para os -0,276%, enquanto a 12 meses desceu até aos -0,185%.

Este rumo dos juros surge apesar de o Banco Central europeu ter dado o pontapé de saída para a retirada dos estímulos monetários na Zona Euro, ao cortar para metade — 30 mil milhões de euros — o montante mínimo de compras mensais de dívida pública a partir de janeiro do próximo ano, mas simultaneamente estendeu esse programa pelo menos até setembro de 2018 e não deu sinais de querer mexer nos juros de referência. A taxa de juro diretora na Zona Euro encontra-se fixada no mínimo histórico de 0% desde março de 2016.

O mercado também não sinaliza uma inversão de juros nem tão cedo. De acordo com a evolução dos futuros para a Euribor a três meses, tudo aponta para que esse indexante se mantenha negativo até março de 2020.

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Prestação do crédito da casa cai, mas só para alguns

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião