Mário Ferreira acusa a Soares da Costa de desviar verbas

O empresário confrontado com a paragem da obra do Monumental Palace, dispara sobre a Soares da Costa. E garante que ainda este fim de semana irá tomar "medidas decisivas". Construtora nega acusação.

Mário Ferreira, empresário dono da Douro Azul acusa a construtora Soares da Costa de desviar verbas destinadas à obra do Monumental Palace, no centro do Porto, e que levou ao protesto, esta sexta-feira, de trabalhadores da construtora e consequente paragem da obra.

“Tudo nos leva a crer que a administração da Soares da Costa tenha autorizado indevidamente desvios de montantes substanciais da nossa obra, factos que estamos com dificuldade em apurar pela reincidente impossibilidade de contacto com o CEO Joaquim Fitas. Com as notícias de que a falta de pagamento se estende também aos trabalhadores, tudo levará a crer que também as verbas destinadas aos trabalhadores foram para outras paragens”, denuncia Mário Ferreira.

"Tudo nos leva a crer que a administração da Soares da Costa tenha autorizado indevidamente desvios de montantes substanciais da nossa obra, factos que estamos com dificuldade em apurar pela reincidente impossibilidade de contacto com o CEO Joaquim Fitas. Com as notícias de que a falta de pagamento se estende também aos trabalhadores, tudo levará a crer que também as verbas destinadas aos trabalhadores foram para outras paragens”

Mário Ferreira

Dono da Douro Azul

O empresário, que está na Jordânia, adiantou ao ECO que “a Monumental Palace Hotel (MPH) tem viabilizado financeiramente a continuação do ACE [agrupamento de empresas liderado pela Soares da Costa], na tentativa de ver realizada a obra do hotel. Porém, não obstante toda a cooperação prestada, a empreitada apresenta já um irrecuperável atraso de seis meses face ao plano acordado”.

O empresário garante que a greve dos trabalhadores da Soares da Costa é uma surpresa, sobretudo no que toca à obra do Monumental Palace e acrescenta: “a MPH não pode nem vai admitir que a Soares da Costa tenha os salários dos trabalhadores em atraso, com a consequente paralisação da obra a que a legítima greve dos trabalhadores conduz“.

Para Mário Ferreira “a falta de pagamento é tão mais grave quanto é facto que a MPH não se tem limitado ao pagamento dos trabalhos executados pela Soares da Costa, como já lhe entregou, a título de adiantamento, uma avultada quantia, por forma a evitar a suspensão dos fornecimentos, serviços e trabalhos, aliás todos os trabalhos realizados até há data obtiveram sempre adiantamento por parte da MPH“.

“Foi-nos comunicado pela fiscalização de obra que neste momento faltam justificar ou entregar equipamentos, cujos valores foram adiantados pelo dono da obra num montante de 1,5 milhões de euros. A título de exemplo, o posto de transformação de eletricidade, chillers e outros equipamentos que deveriam ter já sido entregues para montagem em obra não foram pagos aos fornecedores e não existe neste momento justificação para a falta do dinheiro, nem dos equipamentos”, acrescenta.

O dono da Douro Azul garante que ainda durante este fim de semana a administração e advogados da Monumental Palace Hotel vão refletir sobre as medidas decisivas que irão tomar, “por forma a evitar esta situação agonizante para o dono da obra, os trabalhadores, os fornecedores e todos os colaboradores envolvidos”.

A Soares da Costa foi a empresa escolhida por Mário Ferreira para levar por diante a empreitada de reabilitação e construção do Monumental Palace Hotel, em plena avenida dos Aliados no Porto, num investimento orçado em 20 milhões de euros. Apesar de ter conhecimento das debilidades económico-financeiras da Soares da Costa, Mário Ferreira diz que entregou a obra à construtora motivado pelo “histórico e larga experiência em obras de reabilitação, com mão-de-obra trabalhadora experiente e qualificada, particularmente no setor hoteleiro”. Mas isso, continua o empresário, não invalida que “a empreitada apresente já um irrecuperável atraso de seis meses face ao plano acordado”.

Soares da Costa nega desvio de verbas

Questionada pelo ECO sobre as afirmações de Mário Ferreira, a Soares da Costa nega, através de comunicado, as acusações do empresário.

A Soares da Costa não vai dirimir conflitos ou interpretações de contratos na praça pública, mas recusa veementemente a ideia de que poderia ter desviado verbas afetas a determinado contrato para outros fins que não cumprimento das suas obrigações fiscais, laborais e para com os seus clientes”, adianta a construtora.

A administração da construtora reconhece que “a situação da empresa é difícil”, mas acredita “que será possível ultrapassar esta fase”. “Como sempre, estamos a estaremos sempre disponíveis para encontrar uma solução em diálogo com todos os nossos parceiros, colaboradores, clientes e fornecedores”, acrescenta.

Depois de inviabilizado o Plano de Recuperação (PER) por decisão judicial, a Soares da Costa adianta agora que “tem vindo a trabalhar na apresentação de um novo plano, o que deverá acontecer ainda este mês de novembro”.

(notícia atualizada com reação da Soares da Costa)

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