Carlos Moedas: “As fintech estão a pisar os calcanhares aos bancos e isso é positivo”

O Comissário europeu diz que se assiste a uma terceira vaga da internet, com empresas fortemente tecnológicas a entrarem na banca. Esta nova realidade representa um desafio para os reguladores.

O universo dos serviços de pagamentos bancários está em ebulição com a entrada de novos operadores, em específico as fintech, que “estão a pisar os calcanhares aos bancos”. Quem o disse foi Carlos Moedas, comissário europeu responsável pelas pastas de Investigação, Ciência e Inovação, durante a conferência “Pay Challenge”, em Lisboa, dedicada ao futuro dos serviços dos pagamentos. De acordo com o comissário europeu, esta nova realidade representa um desafio, salientando que todos os operadores — bancos e fintech — “têm de saber trabalhar com o legislador e os reguladores”.

O apelo de Carlos Moedas surge pouco tempo antes da entrada em vigor de uma diretiva comunitária — a Diretiva de Serviços de Pagamento II (DSP II) –, em janeiro do próximo ano. Esta diretiva vai obrigar os bancos a cederem os dados dos clientes a entidades terceiras, onde se inserem as fintech. “As grandes empresas vão ter de viver com os pequenos players a entrar e a invadirem o seu negócio. As fintech estão a pisar os calcanhares aos bancos e isso é positivo”, afirmou Carlos Moedas, considerando que a nova diretiva DSP II é “uma revolução” que vai “mudar o paradigma” do setor financeiro e “permitir a novos atores entrar no mercado“, mas ao mesmo tempo obrigar a uma mudança da regulação que terá de passar a ser “dinâmica e não estática“.

De acordo com o comissário europeu esta nova legislação — DSP II — que vem rever a primeira legislação europeia dedicada aos serviços de pagamento, vai assim tornar mais óbvia a necessidade de os legisladores e reguladores a agirem e trabalharem “em conjunto” com os bancos incumbentes e estes novos operadores: as fintech.

A mesma preocupação foi demonstrada por Carlos Costa, governador do Banco de Portugal. “A digitalização aporta oportunidades para os prestadores e desafios para os bancos centrais e reguladores“, afirmou precisamente Carlos Costa. “A nova arquitetura e os novos modelos de negócios seguidos pelos prestadores de serviços de pagamento obrigam a uma resposta multidisciplinar dos bancos centrais e reguladores, exigem novas abordagens, recursos e competências, de forma a maximizar as oportunidades e a minimizar os riscos para a sociedade“, acrescentou o governador do Banco de Portugal a este propósito.

Neste âmbito, Carlos Costa considera que é importante que as autoridades competentes assegurem a “neutralidade da regulação“, de modo a que esta não seja “um entrave à inovação nem proteja os incumbentes”, mas ao mesmo tempo garanta a “salvaguarda das condições de risco e segurança“, esta última uma das grandes preocupações associadas à digitalização dos serviços de pagamento e à cedência de dados financeiros de clientes a empresas terceiras.

Já relativamente aos bancos, Carlos Costa considera que “as fintech não devem ser vistas apenas como concorrentes“, mas em muitas circunstâncias “como instituições complementares ou parceiras“. “Esta onda de inovação e transformação digital promete uma revolução tecnológica que irá a prazo ter benefícios na vida de todos”, afirmou ainda o responsável do regulador da banca.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Carlos Moedas: “As fintech estão a pisar os calcanhares aos bancos e isso é positivo”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião