Paradise Papers: Nuno Melo diz a Ana Gomes que é “obscenidade” comparar Madeira ao Panamá

  • Lusa
  • 14 Novembro 2017

Eurodeputado diz que Ana Gomes está "obcecada com a Madeira" e considera obscena a comparação do Madeira ao Panamá, num debate com o comissário europeu Pierre Moscovici.

O eurodeputado Nuno Melo (CDS-PP) acusou, esta terça-feira, a eurodeputada Ana Gomes (PS) de estar “obcecada com a Madeira” e considerou “uma obscenidade” comparar a região autónoma ao Panamá, durante um debate no Parlamento Europeu sobre os ‘Paradise Papers’.

Durante o debate no hemiciclo com o comissário europeu dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, sobre o mais recente escândalo de elisão e evasão fiscal, Nuno Melo defendeu que “a UE tem de repudiar todos os paraísos fiscais que existam para lavar dinheiro, ocultar lucros ilícitos, auxiliar no produto de crimes” e “deve repudiá-lo dentro e fora, sem dúvidas nem estados de alma”.

“Ainda assim, sublinhe-se, paraísos fiscais são uma coisa diferente de regimes fiscais mais favoráveis, que existem, e bem, para ajudar as regiões mais desfavorecidas, desde logo as Regiões Ultraperiféricas (RUP), que não dispõem dos mesmos instrumentos capazes de gerar receita, riqueza e emprego”, que outros, disse.

Ana Gomes pediu então a palavra para interpelar Nuno Melo, questionando o deputado do CDS se, ao falar das regiões ultraperiféricas com regimes especiais, se referia à Madeira.

“Quer aceitar que esse tipo de raciocínio que evoca é o que justifica que países como Malta, Luxemburgo e outros, na própria UE, continuarem a ser verdadeiros paraísos fiscais?”, questionou a deputada socialista.

Nuno Melo retorquiu então que não falou na Madeira e que Ana Gomes é que “vive obcecada com a Madeira”, referindo-se às críticas da deputada à zona franca da Madeira.

“O que lhe quero dizer é o seguinte: comparar a Madeira ao Panamá é uma obscenidade, é uma vergonha. E não é por razão de patriotismo. A senhora doutora fá-lo, e faz muito mal. Como sabe, inclusivamente no seu próprio partido não a acompanham, por alguma razão será. A Madeira é uma região ultraperiférica, e possa a Madeira continuar a beneficiar da solidariedade da UE, porque é assim que é suposto”, disse.

Também o eurodeputado José Manuel Fernandes, do PSD, defendeu que é “essencial que não se confunda regimes fiscais mais favoráveis com ‘offshore’”.

“O artigo 349 do Tratado de Lisboa permite que as RUP possam ter um regime fiscal beneficiário para atrair o investimento, criar emprego, promover o desenvolvimento, uma vez que estas regiões são prejudicadas pelo afastamento e insularidade. Este regime, ainda que tenha que ser melhorado, já provou que tem efeitos positivos no desenvolvimento das regiões”, sustentou.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Paradise Papers: Nuno Melo diz a Ana Gomes que é “obscenidade” comparar Madeira ao Panamá

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião