Presidente do BAD: “Angola não tem de gastar dinheiro para diversificar a economia”

  • Lusa
  • 17 Novembro 2017

"A diversificação económica não depende da despesa pública" mas "dos incentivos que se criem para os privados entrarem", disse o presidente do Banco Africano do Desenvolvimento, Akinwumi Adesina.

O presidente do Banco Africano de Desenvolvimento considera que a “absolutamente necessária” diversificação económica em Angola não implica um aumento da despesa pública, mas sim a criação de condições legais que impulsionem o investimento privado.

“A diversificação económica não depende da despesa pública, depende dos incentivos que se criem para os privados entrarem nos setores da atividade”, disse Akinwumi Adesina, em entrevista à Lusa, em Lisboa, no final de uma visita de trabalho à capital portuguesa, esta semana.

A diversificação económica não depende da despesa pública, depende dos incentivos que se criem para os privados entrarem nos setores da atividade.

Akinwumi Adesina

Presidente do Banco Africano de Desenvolvimento

Os privados precisam de poder entrar na economia, e para isso é preciso estabilizar o ambiente macroeconómico e dar incentivos fiscais“, acrescentou o banqueiro, quando questionado sobre como pode Angola investir na diversificação económica atravessando uma crise de liquidez.

A questão, vincou o antigo ministro da Agricultura da Nigéria, “não é tanto diversificar ou não, mas sim ter setores da economia que representem uma percentagem alta das receitas no PIB mas que têm uma produtividade baixa”, como é o caso do setor petrolífero em Angola.

[A questão] não é tanto diversificar ou não, mas sim ter setores da economia que representem uma percentagem alta das receitas no PIB mas que têm uma produtividade baixa.

Akinwumi Adesina

Presidente do Banco Africano de Desenvolvimento

“A agricultura, os serviços, a indústria do acolhimento e o turismo têm de ser aumentados em termos de peso no total das receitas do Governo”, defendeu Adesina, vincando que “não é o Governo que tem de fazer tudo, tem é de criar as infraestruturas certas e o quadro regulatório adequado para o setor privado poder fazer, e eles assim farão”.

Angola mergulhou numa crise económica com a descida dos preços do petróleo desde 2014, que desequilibrou as receitas e desencadeou uma crise cambial e de escassez de moeda estrangeira, fazendo com que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha sofrido uma recessão de 0,7% no ano passado, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).

 

Akinwumi Ayodeji Adesina, presidente do Banco Africano do Desenvolvimento (BAD) também elogiou o desempenho de Moçambique na transparência demonstrada depois da crise da dívida pública e considera que o país pode ser “o Qatar da África” em termos de gás natural. “Temos um investimento de mais de mil milhões de dólares em Moçambique e estamos confiantes que as reformas macroeconómicas estão a surtir efeito e temos apoiado muito o país na análise do sistema contabilístico para ver o nível de dívida que realmente têm”, vincou o banqueiro, salientando que “o país está a dar os passos certos e tem um enorme potencial”, disse. Jason Alden/Bloomberg

Os países muito dependentes de exportações de uma só matéria-prima, como Angola ou a Nigéria, sofrem desproporcionadamente quando há choques nessa área“, reconheceu Adesina.

“O que tende a acontecer é que quando os preços descem aumenta a ideia de diversificar, mas a questão é como fazer avançar essa diversificação económica, e é por isso que são necessárias mudanças estruturais na estabilidade macroeconómica e em investimentos em infraestruturas como a energia, que são absolutamente necessários para proteger os países do impacto dos preços”, concluiu o banqueiro na entrevista à Lusa.

Desde o início das atividades do BAD em Angola, em 1980, o banco já aprovou 43 empréstimos no total de dois mil milhões de dólares; as operações em curso incluem nove projetos na área das finanças, que representam mais de metade dos 626 milhões de dólares que o BAD tem atualmente investidos no país.

Os pilares estratégicos de intervenção são o crescimento inclusivo através da transformação do setor agrícola e o apoio ao programa de desenvolvimento de infraestruturas sustentáveis.

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