Direita pode aprovar propostas da esquerda contra Governo, avisa Ferreira Leite

  • Margarida Peixoto
  • 20 Novembro 2017

Manuela Ferreira Leite teme que o PSD e o CDS aprovem propostas de alteração do BE e do PCP, desvirtuando o Orçamento apresentado pelo Governo.

Manuela Ferreira Leite, ex-presidente do PSD, avisou esta segunda-feira para o risco de entendimentos circunstanciais entre o Bloco de Esquerda, o PCP e a direita parlamentar que viabilizem propostas de alteração ao Orçamento do Estado, desvirtuando o documento inicialmente apresentado pelo Governo. Ferreira Leite falava no seu comentário semanal na TSF.

“Não sei se o Orçamento que vai ser aprovado no final não é estruturalmente diferente do que foi apresentado na Assembleia” da República, alertou Ferreira Leite. Por um lado, explicou, serão aprovadas propostas de alteração para contemplar as medidas de resposta aos fogos e alterações em relação à Função Pública. Mas a isto somam-se ainda eventuais entendimentos circunstanciais.

As “inúmeras propostas de alteração, mesmo que o PS esteja contra elas, e mesmo que o Governo tente defender o seu Orçamento e não queira que sejam introduzidas muitas propostas na especialidade, as propostas tanto do BE como do PCP poderão vir a ter o apoio do PSD e do CDS e portanto podem vir a ser aprovadas”, alertou a comentadora. “Há todas as hipóteses de, este ano, o Orçamento ser alterado na especialidade. O Orçamento não é um panfleto político,” argumentou.

Ferreira Leite sublinhou ainda que “não há a mínima hipótese de pensar que em três dias se consegue toda uma ponderação sobre 600 propostas” e, por isso, “o documento jurídico que é estruturante de uma política económica em que as normas devem ser coerentes e pensadas e avaliadas pode vir a tornar-se em alguma coisa cujo impacto financeiro conflitue com objetivos iniciais e com legislação já existente sobre a mesma matéria, que não há tempo para avaliar”.

A social-democrata pediu ainda responsabilidade a todos os partidos. “Aprovar um Orçamento que se tenha transformado numa manta de retalhos incoerente e provavelmente inexequível é algo de muito preocupante”, sendo por isso importante que “todos os partidos responsáveis tivessem a noção de que a aprovação de certas medidas podem ser muito populares mas poderão ter consequências sérias no futuro do país”, defendeu.

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