Da resolução à venda, como encolheu o Novo Banco

  • Rita Atalaia
  • 21 Novembro 2017

Foram mais de 1.100 dias de vida do banco de transição. Uma vida atribulada e de ajustamento à realidade. É um banco mais pequeno, mas tem mais depósitos dos clientes e a liquidez também aumentou.

Foi a 4 de agosto que nasceu o Novo Banco. Resultante da resolução do BES, o banco de transição demorou mais de três anos a abandonar esse estatuto. Foram mais de 1.100 dias em que o banco, atualmente liderado por António Ramalho, foi encolhendo, preparando-se para a venda que acabou por acontecer a 18 de outubro.

Depois do colapso do BES, o sistema financeiro português ficou a conhecer o primeiro banco de transição. Uma instituição controlada pelo Fundo de Resolução que nasceu praticamente sem “berço”. A posição de liquidez era mínima — a dependência do BCE era grande. A alavancagem era gigante, tal como a dimensão da carteira de crédito num banco de onde muitos retiraram as poupanças.

Agora, ainda antes da venda ao Lone Star, tudo mudou. Conheça, em cinco indicadores, como encolheu o Novo Banco:

De 0,2 a 6,2 mil milhões de liquidez

A situação era critica antes da resolução do BES. E não melhorou muito para o banco que “nasceu” a 4 de agosto. Nessa data, a instituição liderada, à data, por Vítor Bento, era de apenas 200 milhões de euros. Mas o banco conseguiu recuperar. Até setembro deste ano, ainda antes de assinada a venda ao Lone Star, a liquidez era de 6,2 mil milhões de euros.

Há BCE, mas muito menos

O Novo Banco conseguiu diminuir a dependência do financiamento do Banco Central Europeu. Se na altura da resolução, o banco de transição necessitava de um enorme apoio da instituição liderada por Mario Draghi — 8.768 milhões de euros –, pouco antes da passagem de banco de transição para uma instituição com um novo dono, esse financiamento caiu para 5.121 milhões.

Palavra de ordem: desalavancar

O banco de transição tinha, na altura em que foi criado, 72.383 milhões de euros em ativos, montante que tinha, forçosamente de encolher. E encolheu: baixou em 21.892 milhões de euros à custa de uma forte redução do montante da carteira de crédito. O montante concedido pelo Novo Banco reduziu-se em 9.937 milhões ao mesmo tempo que os depósitos cresceram. Resultado? O rácio de transformação baixou de 140% para 103%.

Provisões para os erros do passado

Ao longo dos mais de 1.100 dias em que viveu, o banco de transição teve de fazer um enorme esforço para resolver erros do passado. Esse esforço passou pelo reconhecimento nas contas de elevadas perdas, mas também pela constituição de enormes provisões. Neste período, o Novo Banco provisionou 3.695 milhões para cobrir créditos em risco. Este ano, até ao final de setembro, foram realizadas provisões no valor de 563,2 milhões.

Atrair mais clientes (e as suas poupanças)

Ao mesmo tempo que o Novo Banco teve de encolher, o que ficou patente no saldo do crédito, para garantir a liquidez necessária teve de conseguir atrair clientes. Uma tarefa nem sempre fácil num contexto de queda dos juros — o banco de transição tinha limites às taxas que podia praticar –, mas que o banco soube cumprir. De 24.617 milhões de euros a 4 de agosto, o saldo de depósitos cresceu 5,5% para 25.960 milhões no final de setembro.

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