Fim dos CTPM rende 572 milhões em certificados do Tesouro

Em outubro, mês em que os CTPM foram substituídos pelos CTPC que rendem menos, o montante aplicado em certificados do Tesouro registou a maior subida em quase três anos.

O montante aplicado em certificados do Tesouro atingiu um novo recorde em outubro. O investimento neste produto de poupança do Estado aumentou em 572 milhões de euros, o crescimento mensal mais acentuado em quase três anos. Essa subida acontece no mês em que os Certificados do Tesouro Poupança Mais (CTPM) foram substituídos pelos Certificados do Tesouro Poupança Crescimento (CTPC), um produto cujo retorno é mais baixo.

De acordo com o boletim estatístico do Banco de Portugal, divulgado nesta quarta-feira, o montante investido pelos portugueses em certificados do Tesouro aumentou em 572 milhões de euros, para totalizar 14.877 milhões de euros, um valor recorde. O crescimento das aplicações registado em outubro é o maior desde janeiro de 2015, quando os CTPM foram alvo de um corte de remuneração quase para metade.

Evolução dos certificados do Tesouro nos últimos três anos

Fonte: Banco de Portugal

A quebra de remunerações também estará na base da forte adesão dos aforradores portugueses aos certificados do Tesouro. No final de outubro, a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP), deixou de comercializar os CTPM para os substituir por um novo produto com características muito próximas, mas cujo retorno é bastante inferior.

Os CTPM ofereciam uma taxa de remuneração média de 2,25% ao fim dos cinco anos de aplicação, que poderia ser acrescida de um prémio em função do crescimento do PIB a partir do quarto ano.

No caso dos CTPC, a remuneração média é de 1,35%, bastante aquém desse valor, e que pode ser alcançada ao fim dos sete anos de aplicação, acima dos cinco anos dos CTPM. Tal como os CTPM, o montante mínimo de subscrição são mil euros, sendo que cada unidade deste produto custa um euro. Está ainda limitado a um montante máximo de um milhão de unidades, ou seja um milhão de euros, por aforrador.

A intenção do Governo em baixar a remuneração oferecida pelos certificados do Tesouro tinha sido avançada pelo ECO a 25 de outubro, tendo sido confirmada no dia seguinte pelo executivo liderado por António Costa que se reuniu em Conselho de Ministro.

Já os certificados de aforro mantiveram a tendência de quebra, tendo encolhido em 114 milhões de euros no último mês. Há 12 meses seguidos que este produto do Estado perde dinheiro. Esta quebra resulta da fraca atratividade da remuneração oferecida por este produto que continua a ser menos atrativo mesmo comparando com os novos CTPC. As novas aplicações em certificados de aforro da série E lançada a 30 de outubro que sejam realizadas em novembro têm direito a uma remuneração bruta de 0,671%.

A quebra dos montantes aplicados em certificados de aforro no último mês levou o “bolo” total aplicado neste produto cair para 11.973 milhões de euros. Trata-se do patamar mais baixo desde novembro de 2014.

(Notícia atualizada às 11h45 com mais informação)

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