DBRS: Montepio melhorou rácios de capital, mas “não está a conseguir reduzir o malparado”

  • Rita Atalaia
  • 27 Novembro 2017

A agência de notação canadiana elogia os progressos do Montepio em termos da melhoria dos rácios de capital. Mas nota que o banco "não está a ser capaz de reduzir significativamente" o malparado.

A Caixa Económica Montepio Geral (CEMG) realizou um aumento de capital de 250 milhões de euros, totalmente subscrito pelo único acionista, a Associação Mutualista. Um reforço que ajudou o banco a melhorar os rácios de capital, de acordo com a DBRS. Mas a agência de notação deixa um alerta: o banco “não está a ser capaz de reduzir significativamente o peso do crédito malparado”, o que continua a penalizar a rentabilidade.

“O banco revelou uma melhoria muito significativa dos rácios de capital depois da injeção de capital por parte da Associação Mutualista, em junho de 2017”, afirma a DBRS numa nota. Mas, “embora este rácio esteja agora em linha com a maioria dos bancos portugueses”, o mesmo não acontece com o malparado. “O nível de Non-Performing Assets continua mais elevado em relação aos pares e vulnerável à capacidade do banco de avançar com reduções suficientes” destes ativos em incumprimento.

Ainda assim, a DBRS reconhece que o “Montepio está a adotar medidas para diminuir o risco no balanço, incluindo através de uma recente titularização de NPL [malparado]”. Foi no início de novembro que o Montepio avançou com a venda de 581 milhões em crédito malparado. O banco também colocou 750 milhões em obrigações hipotecárias no mercado internacional.

"O banco revelou uma melhoria muito significativa dos rácios de capital depois da injeção de capital por parte da Associação Mutualista, em junho de 2017. Embora este rácio esteja agora em linha com a maioria dos bancos portugueses, O nível de Non-Performing Assets continua mais elevado em relação aos concorrentes e vulnerável à capacidade do banco de avançar com reduções suficientes destes ativos.”

DBRS

A CEMG realizou um aumento de capital de 250 milhões de euros, totalmente subscrito pelo único acionista, a Associação Mutualista, para reforçar os rácios de capital. Com esta operação, os rácios CET1 e capital total melhoraram para 12,1% e 12,6%, respetivamente, “representando, em ambos os casos, aumentos de 196 pontos base” e “posicionando a CEMG como uma das instituições financeiras com melhores rácios do sistema”, afirmou o banco.

É esta melhoria dos rácios que justifica o rating BB que a DBRS atribui ao banco. A notação “tem em conta o facto de a instituição financeira ter feito alguns progressos em termos da rentabilidade e capital no primeiro semestre deste ano, o que inclui a apresentação de lucros”, mas também a injeção de capital, diz a agência que mantém o alerta para o malparado.

(Notícia atualizada às 15h21 com a venda de malparado por parte do Montepio)

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

DBRS: Montepio melhorou rácios de capital, mas “não está a conseguir reduzir o malparado”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião