Alain Weill diz que dono da Altice “não é um aventureiro”

O líder do segmento de media da Altice disse em Paris que Patrick Drahi, fundador e dono da Altice, "não é um aventureiro". Por isso, reforçou que a empresa se encontra bem de saúde.

O chefe da divisão de media da Altice considera que “o grupo está bem” e apenas “atravessa uma crise de crescimento”. Alain Weill, que também é presidente executivo da operadora francesa SFR, falou esta terça-feira numa conferência em Paris, onde considerou que o nível de dívida da empresa é normal em relação a outras companhias do setor e que a rentabilidade da SFR é uma das melhores no país, segundo o jornal Les Echos e a agência Bloomberg.

“Patrick Drahi [o fundador e dono da Altice] não é um aventureiro”, atirou Alain Weill, garantindo que “a estratégia de convergência da Altice” entre telecomunicações, media e publicidade “não está, de forma alguma, posta em causa” — “antes pelo contrário”, garantiu. A Altice tem vindo a atravessar um período conturbado, com os investidores a terem dúvidas de que tenha a liquidez necessária para pagar os mais de 50 mil milhões de euros de dívida que acumula. O primeiro reembolso acontece em 2022 e Alain Weill considera que o nível de dívida é normal face aos pares do setor.

Foi a Altice que comprou a Portugal Telecom à brasileira Oi em 2015, assim como a própria SFR e as norte-americanas Suddenlink e Cablevision nos últimos anos. Sobre elas, Weill disse: “As empresas estão bem integradas mas, quanto ao negócio em França, não lhe demos a atenção necessária”. Em Portugal, a Altice prepara-se ainda para comprar a Media Capital, dona da TVI, por 440 milhões de euros, um negócio que está dependente do parecer final do regulador da concorrência.

As ações da Altice afundaram mais de 55% desde o início deste mês, depois da apresentação de resultados fracos relativos ao terceiro trimestre. Na altura, uma das causas apontadas foi a perda de clientes pela SFR. Em plena reestruturação, a SFR deverá “em breve” ver os resultados desse processo, admitiu ainda Alain Weill. Esta terça-feira, os títulos da companhia, cotados em Amesterdão, recuaram 3,27% para 7,137 euros. No início do mês, cada ação da Altice custava mais de 16 euros.

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