Banco de Portugal quer apertar critérios para a concessão de crédito às famílias

A instituição liderada por Carlos Costa está preocupada com o elevado endividamento. Por isso está a ponderar apertar os critérios de avaliação por parte dos bancos na concessão de crédito.

O Banco de Portugal está preocupado com o elevado endividamento. Por isso está a ponderar apertar os critérios de avaliação por parte dos bancos na concessão de crédito. O alerta é deixado pela entidade liderada por Carlos Costa, no Relatório de Estabilidade Financeira publicado nesta quarta-feira, que está preocupado com os riscos que tal pode acarretar para o sistema financeiro português.

“É fundamental que as instituições financeiras continuem a avaliar adequadamente e de forma prospetiva a capacidade de crédito dos mutuários, evitando a assunção de riscos excessivos nos novos fluxos de crédito, nomeadamente no crédito à habitação”, diz o BdP numa nota que acompanha este relatório. “A este propósito, o Banco de Portugal pondera adotar medidas com vista ao reforço da avaliação, pelas instituições de crédito, da capacidade creditícia dos mutuários particulares”, complementa assim o regulador do sistema financeiro português.

Entre aos elementos que podem ser ponderados no reforço da avaliação do risco por parte dos bancos incluem-se por exemplo uma maior exigência na taxa de esforço e na apresentação de mais garantias.

O atual contexto económico caracterizado por taxas de juro historicamente baixas, tem potenciado a adoção de critérios menos exigentes no que respeita à concessão de crédito às famílias, e em concreto com o destino de compra de casa. Ilustrativo dessa maior predisposição para emprestar dinheiro são os spreads que têm vindo a ser gradualmente revistos em baixa pelas instituições financeiras nacionais.

A maior vontade dos bancos em disponibilizar crédito é visível sobretudo no acentuado crescimento da concessão de crédito para a compra de casa. Os últimos dados disponibilizados pelo Banco de Portugal indicam que nos primeiros nove meses do ano, os bancos nacionais disponibilizaram quase seis mil milhões de euros em empréstimos para a compra de casa, levando a concessão para máximos anteriores à crise financeira. Face ao mesmo período do ano passado, trata-se de um crescimento de 43%.

Tendo em conta esta realidade, o Banco de Portugal salienta que “é importante que as instituições financeiras baseiem as suas decisões de concessão de crédito em análises adequadas da capacidade de serviço da dívida por parte dos clientes, em particular em condições macroeconómicas e financeiras mais adversas”.

Os preços do imobiliário é um dos temas em que o Banco de Portugal foca as suas atenções neste relatório de estabilidade financeira, e sobre o qual denota alguma preocupação. “A evolução dos preços no mercado imobiliário residencial poderá também ter consequências sobre os riscos para a estabilidade financeira, caso acentue essa menor restritividade no caso particular do crédito à habitação”, avisa a entidade liderada por Carlos Costa.

(Notícia atualizada)

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