Banco de Portugal vê melhorias nos rácios de malparado da banca portuguesa

  • Juliana Nogueira Santos
  • 6 Dezembro 2017

A instituição liderada por Carlos Costa ainda vê no stock de crédito malparado, que se mantém acima do contexto do euro, um risco. Assim, é obrigatório "concretizar a estratégia abrangente".

A banca portuguesa fez progressos na redução dos rácios de crédito malparado, reduzindo a exposição em oito mil milhões de euros, mas ainda há riscos a ter em conta. A conclusão é do Banco de Portugal, que publicou esta quarta-feira o seu Relatório de Estabilidade Financeira.

“O reforço da solvabilidade e da base acionista de alguns dos principais bancos permitiu aumentar a sua capacidade de redução do stock de créditos nonperforming (NPL) e melhorar a perceção dos investidores internacionais relativamente aos bancos portugueses e ao soberano”, pode ler-se no relatório. “Contudo, o stock de NPL permanece elevado no contexto da área do euro.”

O Banco de Portugal dá conta de uma redução do rácio de NPL de 17,9% para 15,5% — em concreto, oito mil milhões de euros –, em junho de 2017, “refletindo os progressos no segmento de crédito às sociedades não-financeiras”. Esta tendência pode continuar se “o contexto propício” for criado, ou seja, se se mantiver “a evolução recente da solvabilidade dos principais bancos portugueses, as perspetivas para a economia portuguesa e a evolução dos preços do imobiliário”.

A evolução recente da solvabilidade dos principais bancos portugueses, as perspetivas para a economia portuguesa e a evolução dos preços do imobiliário, criam um contexto propício para a continuação da redução do nível de ativos não produtivos.

Banco de Portugal

Ainda assim, o regulador bancário nacional alerta para o desequilíbrio em comparação com o “contexto do euro”, uma vez que o stock de malparado continua elevado. Para reduzir, os bancos devem “prosseguir com o ajustamento das estruturas operacionais” e concentrar “as exposições a algumas classes de ativos”, embora estas medidas pesem “na heterogeneidade entre instituições”.

Para dar o passo à frente e proceder a uma redução mais significativa da exposição ao malparado, o Banco de Portugal garante que é obrigatório “concretizar a estratégia abrangente”, que passará por rever o enquadramento legal, judicial e fiscal, por efetuar ações de supervisão microprudencial, no âmbito do Mecanismo Único de Supervisão e por incluir possíveis medidas sistémicas na gestão dos portefólios.

(Notícia atualizada às 14h15 com mais informação.)

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